Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és
Quem nós somos é, em boa medida, um espelho das pessoas com quem convivemos regularmente. À nossa volta as pessoas influenciam-nos, mais ou menos, melhor ou pior, consoante a nossa permeabilidade. Já diz o velho provérbio “Junta-te com bom, que bom serás. Junta-te com mau, que pior darás. “
Só neste pressuposto se compreende que muitas alminhas, confinadas a determinada plateia, se comportem como hipnotizadas, aplaudindo em uníssono cada palavra duma ladainha interminavelmente repetida. Porque somos autores e actores de cada episódio da novela que é a nossa vida, é também nossa toda a responsabilidade na sua realização, pois a nossa individualidade é sublime e irrepetível. Ainda há gente honesta, sincera, amável, sensível e respeitosa. Gente que se afasta do egoísmo, da hipocrisia, da soberba e da mentira. É esta gente que devemos manter por perto, que nos faz acreditar que a humanidade não está completamente corrompida. E, neste mundo que se faz deserto, nós temos sede de encontrar e preservar os verdadeiros amigos. Está na nossa essência a sede de relação e comunicação, pois a solidão é um estado de alma pouco propício no encontro de soluções para as questões que a vida nos coloca. Por outro lado, há gente que acha que pode tudo. Gente que agride verbal e psicologicamente, que calunia, que avalia os outros à sua imagem e faz da ignorância o seu estilo de vida. Gente que mede afectos pela sua própria métrica, populada de vazios, mas pródiga em atirar pedras. Gente que confunde crítica construtiva com resistência à mudança e transforma os inconformados nos “Velhos do Restelo”. Porque é mais cómodo rodear-se de quem não contraria e de quem só elogia. Todos estamos conscientes das dificuldades que hoje enfrentamos, bem visíveis todos os dias. A vida é composta de mudanças e é perfeitamente compreensível que as pessoas deambulem pelas várias opções com que vão sendo confrontadas, sejam a título pessoal, profissional ou de ideologia partidária. Neste caso, em particular, mudar de partido é trivial, e não é mais do que seguir as regras do jogo, e aceitável segundo as regras da liberdade. Não é lícito, nem ético que se insulte, ostracise, apelide de “vira casacas” e condene à indigência moral quem, no exercício da sua liberdade e cidadania, tomou essa opção. Com comportamentos míopes não vamos longe. Quantas vezes, em poucas palavras e pequenos gestos encontramos muitas verdades e grandes atitudes. Pessoas “grandes” distinguem-se pela sua simplicidade, sem adornos. E, por mais que se enterre a verdade ela encontra sempre forma de submergir. Ninguém é invencível. Ninguém é insubstituível. Tudo é temporário e passageiro. Reza a História que os impérios mais poderosos caem, quando começam a acreditar que a sua força é inabalável.
Madalena Castro