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Sobe para 73 o número de mortos em naufrágio na costa da Síria

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Foto Reuters

O número de mortos no naufrágio de um barco na quinta-feira na costa da cidade síria de Tartus subiu para 73 e outras 20 pessoas foram resgatadas com vida, divulgou hoje o Ministério da Saúde da Síria.

Num comunicado, citado pela agência de notícias oficial síria SANA, o Ministério da Saúde sírio declarou que a contagem de vítimas ainda é preliminar e que os resgatados estão a receber tratamento no hospital Al-Basel, na cidade de Tartus.

Na manhã de hoje, o ministro dos Transportes libanês, Ali Hamieh havia feito um balanço provisório de 53 mortos neste naufrágio.

Hamieh disse à agência de notícias Efe que "segundo alguns dos sobreviventes, o barco transportava mais de cem pessoas e muitas das vítimas não tinham documentação".

Além disso, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) afirmou que a maioria das vítimas era de nacionalidade síria, libanesa e palestiniana, estimando que o número de pessoas que ainda estão desaparecidas é de pelo menos 70, segundo um comunicado da organização não-governamental (ONG).

Alguns dos sobreviventes confirmaram à ONG que a embarcação, que partiu da cidade libanesa de Trípoli, transportava mais de 150 pessoas e pretendiam chegar à Itália, Chipre ou outros países europeus.

A ONG, sediada no Reino Unido mas com uma vasta rede de colaboradores no terreno, disse que "muitos dos sírios que morreram no mar venderam todas as suas propriedades na Síria com o sonho de chegar à Europa, pois foram muito afetados pela crise no Líbano".

Em 23 de abril, outro barco lotado com migrantes desesperados para deixar o Líbano naufragou e as equipas de resgate conseguiram salvar cerca de 45 pessoas e recuperar pelo menos uma dúzia de corpos.

Cerca de 80% dos libaneses vivem abaixo da linha da pobreza, enquanto cerca de 90% da comunidade de refugiados sírios no país sofre de extrema pobreza e muitos deles também são afetados pela insegurança alimentar, segundo dados da ONU.

Desde 2020, quando a crise económica desencadeada em 2019 agravou-se no Líbano, disparou a saída de barcos ilegais que tentavam chegar a Chipre com o objetivo de chegar posteriormente a outros países europeus.

Segundo a ONU, pelo menos 38 barcos com mais de 1.500 migrantes partiram naquele ano, mais de 75% dos quais foram intercetados pelas autoridades ou retornaram à terra.

Os migrantes saem maioritariamente pela costa norte do Líbano, que tem seis milhões de habitantes - incluindo um milhão de refugiados sírios -, que é a região mais pobre do pequeno país.