A Guerra Mundo

Ministro russo acusa Zelensky de querer criar conflito entre NATO e Rússia

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Foto EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, acusou hoje o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de não estar interessado em negociações e querer antes provocar um conflito entre a Rússia e a NATO.

"Se [Zelensky] se sentiu tão mal por a NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte, também conhecida como Aliança Atlântica] não o ter defendido, é porque espera resolver o conflito mediante a inclusão da NATO nesta história, e não através de negociações", afirmou Lavrov, em conferência de imprensa realizada no final de uma reunião com o seu homólogo quirguiz, Ruslan Kazakbayev.

O chefe da diplomacia russa considerou ainda que o Presidente ucraniano não parece ouvir as declarações de Washington, Paris, Berlim e de outras capitais europeias quando avisam que a NATO não pretende interferir no conflito.

"O que parece é que [Zelensky] está a tentar provocar um conflito com a participação da NATO, entre a NATO e a Rússia", insistiu.

Segundo Lavrov, as "declarações constantes e ressentidas" de Zelensky não fazem sentir qualquer otimismo em relação a uma nova ronda de negociações russo-ucranianas, depois de as duas anteriores, realizadas na segunda e na quinta-feira, na Bielorrússia, terem falhado.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também aludiu hoje aos apelos à NATO do Presidente ucraniano, que, na sexta-feira, criticou a Aliança Atlântica pela sua decisão de não impor uma zona de exclusão aérea na Ucrânia e pela sua falta de ação para proteger a população do país.

"Os países da NATO estão perfeitamente cientes da impossibilidade da participação direta dos membros da Aliança no que está a acontecer na Ucrânia", referiu Peskov.

A Rússia lançou, na madrugada de 24 de fevereiro, uma ofensiva militar à Ucrânia e as autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças. Segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de 1,2 milhões de refugiados.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.