A Guerra Mundo

Moscovo quer restringir manifestações de descontentamento social

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O vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitri Medvedev, pediu hoje que se restrinja qualquer manifestação de descontentamento social no âmbito da "operação militar especial" russa na Ucrânia.

"Há um trabalho importante aqui para conter esse tipo de ativismo malicioso e atividades ilícitas, incluindo protestos ilegais", disse Medvedev, durante uma reunião do Governo.

Medvedev (que foi Presidente russo entre 2008 e 2012) apelou ao reforço do controlo sobre a disseminação de "informações falsas" acerca da ação das Forças Armadas, crime punível com até 15 anos de prisão.

Pediu ainda que, recorrendo à lei, se evite a imposição de sanções externas contra o Estado russo, as suas empresas e os seus cidadãos.

Medvedev admitiu que a "pressão económica sem precedentes" contra a Rússia, sob a forma de sanções, pode provocar um "aumento do desemprego".

"Por isso, as questões relacionadas com o surgimento de tensão social devem ser acompanhadas com a maior atenção", disse Medvedev, sublinhando que "a luta efetiva contra as forças radicais" não pode ser separada dos problemas da imigração.

Medvedev também destacou a necessidade de coordenar o trabalho das forças de segurança com as organizações e empresas que atuam na esfera digital para combater ataques cibernéticos.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 925 mortos e 1.496 feridos entre a população civil, incluindo mais de 170 crianças, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, entre as quais 3,5 milhões para os países vizinhos, indicam os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.