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França, Alemanha, Espanha e Itália apelam à calma nos territórios palestinianos ocupados

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França, Alemanha, Espanha e Itália manifestaram hoje "profunda preocupação com as tensões nos territórios palestinianos ocupados, incluindo em Jerusalém Oriental", e apelaram às partes para que evitem qualquer provocação e uma escalada de violência.

"Em 2022, mais de 120 palestinianos e 20 israelitas foram mortos e muitos outros ficaram feridos. Também estamos muito preocupados com o aumento da violência, inclusive por parte de colonos israelitas", sublinharam estes quatro países num comunicado conjunto divulgado pelos respetivos ministérios dos Negócios Estrangeiros.

"É agora crucial evitar qualquer nova escalada. Instamos todas as partes a absterem-se de qualquer provocação ou ação unilateral, reduzir ativamente as tensões e restaurar a calma", acrescenta a nota de imprensa.

Embora reconheçam o "direito de Israel de se defender contra ataques armados e de responsabilizar os responsáveis", os quatro países acreditam que o país "deve fazê-lo de acordo com o direito internacional e o direito internacional humanitário.

"O controlo da segurança palestiniana na Zona A deve ser facilitado e a coordenação de segurança eficaz restaurada", apontam.

Os quatros países referiram ainda que as tensões atuais lembram a "necessidade imperiosa de retomar os esforços políticos para alcançar a solução de dois estados, a única solução capaz de garantir de forma permanente a israelitas e palestinianos a possibilidade de viver em paz e segurança".

Milhares de pessoas assistiram na terça-feira ao funeral de cinco palestinianos mortos naquela madrugada numa operação do Exército israelita contra um grupo de jovens combatentes envolvidos em ataques na Cisjordânia ocupada.

Estes palestinianos foram mortos num ataque israelita dirigido ao grupo armado palestiniano "Areen al-Ussoud" em Nablus, cidade no norte da Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967, segundo o Ministério da Saúde palestiniano.

Um sexto palestiniano foi atingido mortalmente por munições reais na aldeia de Nabi Saleh, a norte de Ramala, depois de o Exército israelita ter dito que tinha disparado contra um "suspeito que atirava um engenho explosivo", segundo a mesma fonte.

A violência aumentou nos últimos meses no norte da Cisjordânia, com as forças israelitas a intensificarem as operações em Nablus e Jenin, em represália por ataques anti-israelitas.

Estes ataques, muitas vezes pontuados por confrontos com a população palestiniana, deixaram mais de 100 mortos do lado palestiniano, o número mais elevado de vítimas mortais na Cisjordânia em quase sete anos, segundo a ONU.

Só desde o início de outubro, 25 palestinianos e dois soldados israelitas foram mortos, de acordo com uma contagem feita pela France-Presse (AFP).