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Maio de 68; Meio milhão de estudantes e sete milhões de operários pararam um país

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As centrais sindicais francesas convocaram uma greve geral para 13 de maio de 1968, quando o movimento estudantil já se estendia a todo o país e havia fábricas em protesto, que durou até junho e parou a economia.

França somava então cerca de 504 mil alunos do ensino superior, num universo de quase 700 mil estudantes, e um total de 7,4 milhões de operários, numa população ativa de 19 milhões, conforme dados para a época do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos (INSEE, na sigla original francesa).

A convocatória da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e da Confederação Democrática Francesa do Trabalho (CDFT) foi feita a 11 de maio, e a greve haveria de parar transportes, correios, comunicações, fechar repartições públicas, estabelecimentos comerciais, escritórios, casas de espetáculos, museus, atingindo um dos pontos mais elevados a 22 de maio, com uma adesão estimada em dez milhões de pessoas, altura em que a atividade económica desceu a valores nulos, na maioria dos setores.

De acordo com o “Estudo estatístico das greves de maio-junho de 1968”, publicado em 1970 pela Revista Francesa de Ciência Política, a greve causou quebras da atividade económica de 22,8%, em maio, e de 11%, em junho, em valores médios globais, para as áreas comerciais, industriais e de serviços.

Ainda segundo este estudo, a duração da greve oscilou entre os 12 dias, nos setores agrícola e alimentar, e os 28 dias, na metalomecânica.

As maiores adesões verificaram-se nas indústrias automóvel e têxtil (acima dos 94%), no setor energético (91%) e nos transportes (88%) e, as mais baixas, na agricultura (36%), indústrias de calçado e de materiais de construção (44%).

Dois meses antes do início da greve geral, a 11 de março, o patronato francês propusera um aumento do salário mínimo 2,2 para 2,5 francos franceses por hora (de 0,34 para 0,38 euros, pela taxa de conversão de 1998).

Jovens operários responderam com o bloqueio da linha de caminho de ferro Paris-Quimper, na costa oeste do país.

No termo da negociação, no final de maio, o valor de referência do salário mínimo acabaria por se fixar nos três francos por hora (0,46 euros).

Além deste aumento de 35%, os acordos estipularam ainda uma subida de dez por cento nos salários reais, em relação à inflação, e reconheceram os direitos de representação sindical dos trabalhadores nas empresas.

Na altura, os horários de trabalho subiam às 45 horas por semana, consagrando apenas o domingo como dia de descanso.

Os chamados “Acordos de Grenelle” (por causa da localização do Ministério do Trabalho, na rua de Grenelle) foram atingidos a 27 de maio, depois de uma reta final de 48 horas, que envolveu centrais sindicais e o secretário de Estado dos Assuntos Sociais, Jacques Chirac.

Os acordos, porém, nunca foram assinados por todas as partes.

As greves estenderam-se pelo mês de junho, mesmo depois de dissolvida a Assembleia Nacional, e convocadas as novas eleições, para dia 30. Charles De Gaulle conquistou maioria absoluta e mais de 350 lugares dos 487 assentos parlamentares.