Psycho

Percebem o terror deste dia? O argumento do filme é tão intenso, por falar nisso, lá vai o barman, leva na bandeja um sorriso de campanha já esquecido, desses sem adesivo de prótese

30 Set 2017 / 02:00 H.

O sétimo dia é o Sábado do SENHOR teu Deus onde não farás nenhuma obra pois até se consagra à santa reflexão. Ámen. Para a democracia, deus é o voto pelo qual muitos lutam e acabam em pecado para a excomunhão. Finalmente os idosos metem os pés na água quente com sal, foi uma campanha extenuante. A meteorologia beneficia com este dia, alertas só albi-celestes, não se pode dizer nem laranja nem vermelho e amarelos andam todos. É dia de ensaios defronte do espelho: “- eu é que sou o “prelesidente da xunta”. Mas recebe a resposta: - aqui em casa é ditadura e vais limpar já esse espelhinho, tens o cão para lavar, a relva para cortar, ... É uma felicidade ser “prelesidente”. Albert Hitchcock, mestre do suspense e do terror, escolheria estes dias para situar o epílogo do seu filme com bom argumento mas uma safra de maus actores.

Num dia dedicado à massa cinzenta, nada melhor do que ir ao dopante café, para cá da esquina do mundo no pátio das “cantigas”. Pelo argumento, está ali um senhor verde que não pode falar hoje mas um “mira” inconveniente pede justo agora “caña”. Os barmans fogem para a cozinha, as câmaras de vigilância da CNE devem ter apanhado. Ao longe aponta a coelhinha e o barman mete logo o “I want you, to be your slave” da playlist, enquanto ele suspira eu reviro os olhos para não cair na tentação e acerto no homem estátua que vai levar o recorde do Guiness, há um mês que não se mexe, está magenta que nem lagosta, porque vermelho não se pode dizer. Quem falta? Salvemo-nos do ilícito de não observar equidistância. Pela posição dos astros, concluo que ao fôfo deve ser emitida uma nota de crédito porque hoje não pode sair publicidade mas, quando o peste descobre a dentadura, arde as provas. A Bina faz tour com estrangeiros, pelo menos não contrapõem, está a falar da importância da Assembleia Regional, o E-dardo meteu cunha a ver se encerra o desfile com os inevitáveis clássicos com ele a cavalo. É hora da missa, badala a Sé, sinistro, não há folclore no adro e bem menos interessados. Em vez de entrarem, saem as fiéis a correr, a primeira a chegar ao café diz que houve um susto de morte, ainda as artroses dobravam para se sentarem na Casa do Senhor, viram um barrete esquecido no banco e saíram correndo como Usain Bolt. Milagre não foi, suspeitam de atentado. Pelo cheiro a Biofreeze, o que ajeita as pernas e desentope o nariz, há razão para o trauma. Enquanto o mundo estuda a matéria negra do Universo, neste espaço gravitacional que nos une não identifiquei o candidato que não interage com a matéria comum, se ganha não sei como vai ser. Em dia de descanso, o que falta deve estar em movimentos na terra porque amanhã é água de giro.

Mãe do Céu, porque criaste este dia? – NÃO FUI EU! Pronto, não é preciso escurecer a atmosfera nem alagar isto senão contribuis para a abstenção. Pensas que não conheço essas mensagens subliminares, estudei a psicologia dos Irmãos Dalton em Harvard, eu digo e a malta acredita, ninguém vê as habilitações como muitos por aí, doutores de receber injecções do GR. Vou ao hospital, ver se me receitam algo para abrandar isto, com a fita verde devo sair antes das 19H de amanhã. O barman, com sorriso cínico, diz que tem mais medicamentos atrás do balcão do que na farmácia do Nélio Mendonça. Foi-lhe prometido em campanha alvará de hospital privado na tasca. Anda “maldizeeeeente” para ganhar clientes, diz baixinho que agora receitam alcatrão e betão no hospital central, é o que o secretário das finanças aprova. E mais, há dias numa fractura de fémur meteram malha sol e Portland CP-I. Houve dificuldade em dar alta porque faltou o secante de betão, aguarda para tirar a cofragem. A solução surgiu de novo em castelhano desambientado, “mira se não roda vai de arrastos”, e assim foi mas, partiu a outra. O escultor do busto apareceu, diz que molda melhor a nova fractura do que a cofragem. O paciente, com pragmatismo, resolveu a alta num instante, foi visto no Trapiche 11, são e salvo.

Enquanto alguns andam desconfiados de Contrato na Hora no Ferry pós-eleitoral, outros estão apreensivos com Fairy, dizem que gota a gota dura mais do que a segunda marca mais vendida. Basta uma para lavar a loiça toda. Voltando atrás, o secretário vai de patins ou na primeira viagem? Se a malta reflecte muito enlouquece.

O passatempo dos eleitores que não votam também é ir ao café mas para fiscalizar a TV e a imprensa, a ver qual o órgão que não respeita o dia de reflexão. Não votam mas defendem a democracia. Agonio com estes exemplos de cidadania, já penso no Pináculo, se calhar deixo para depois, ainda fico preso na tabaibeira com os derrotados a me cair em cima. Falando de coisas sérias, nesta noite, em quantas camas existe um cônjuge a pensar deitar gotas para obrar na água do parceiro? Obrar foi infeliz, pode ser indicação de voto. Percebem o terror deste dia? O argumento do filme é tão intenso, por falar nisso, lá vai o barman, leva na bandeja um sorriso de campanha já esquecido, desses sem adesivo de prótese.

Aposto que amanhã uns votam para perder e outros para ganhar, depois à noite olham mais para a garrafa de champagne do que para a caixinha que não muda os resultados. Alguns até vão dar foguetes dentro de casa para ninguém saber. Terá a Protecção Civil tudo controlado? Este cronista até escrevia umas coisas que se lia, hoje está insuportável. Estou “aterrado” mesmo com o aeroporto inoperacional, é dia de reflexão antes da ventania! Já pensou na responsabilidade de receber 5 boletins de voto? P’ra “cambra”, p’ra a assembleia “mnucipale”, p’ra “xunta”, p’ras internas e p’ra 2019? Que diacho! Vou ler o Jornal Oficial um “cadinho” porque sempre se ri. Diga a verdade, você não está “aterrado”, o povo gosta de sangue mas, participar está quieto. Fazem o crime perfeito, atiçam a carne para canhão e saem a assobiar, angélicos. Amanhã sou eu que leio as crónicas dos eleitores.

A 16 de Junho último comemorou-se o 57º aniversário do lançamento de um dos melhores filmes de Hitchcock, Psycho. Na Madeira, a Hollywood do Atlântico, a efeméride comemora-se neste fim-de-semana. Depois de tantos anos a enlouquecer e a fazer enlouquecer, a sombra do mestre do suspense e do terror está de volta. Toca a sineta, acabou o recreio, amanhã é a sério, VÁ VOTAR!

Carlos Vares

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