Tensão não abranda na Venezuela

Polícia dispersa manifestantes em várias zonas da capital e Tribunal ordena detenção de 14 militares

20 Abr 2017 / 22:19 H.

Elementos da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) dispersaram hoje centenas de pessoas em várias zonas de Caracas, que pretendiam juntar-se a outros manifestantes para tentar, de novo, chegar até à Defensoria do Povo (Procuradoria popular).

Em El Paraíso, bairro a oeste de Caracas, centenas de pessoas foram bombardeadas com gás lacrimogéneo e atingidas com tiros de balas de borracha pela GNB, na avenida O’Higgings. Durante a repressão policial ficou ferido o deputado José Manuel Olivares.

No estavam também os deputados opositores Richard Blanco, Carlos Paparoni, Simón Calzadilla e Mitzy Capriles de Ledezma, mulher do autarca de Caracas, António Ledezma, (atualmente detido).

Segundo o deputado Jorge Millán, do partido Primeiro Justiça, as forças de segurança detiveram seis militantes daquele partido opositor.

Por outro lado, em Santa Mónica, no sul, as autoridades dispersaram uma congregação de pessoas que predentiam marchar até uma auto-estrada local.

Também em Chacaíto e El Rosal (ambas a leste), centenas de pessoas tentaram reunir-se a outros manifestantes para marchar até ao centro de Caracas, mas encontraram-se com as forças de segurança que disparam gás lacrimogéneo e tiros de balas de borracha.

Os manifestantes afastaram-se algumas centenas de metros, permanecendo no entanto unidos para avançar.

Nas proximidades, na auto-estrada, um manifestante completamente nu subiu a um blindado da GNB, com uma bíblia na mão, gritando que não possuía nenhum tipo de armamento e para pedir que deixassem de reprimir os manifestantes que se juntaram desde várias partes do leste da capital, entre elas Santa Fé e Altamira.

Segundo a oposição venezuelana, uma blindado da GNB disparou vários bombas de gás lacrimogéneo contra o edifício onde está instalado o comando de campanha do ex-candidato presidencial Henrique Capriles Radonski, em Bello Monte.

Há duas semanas, esses escritórios foram também atacados pela GNB, situação que provocou um incêndio, segundo a oposição.

No interior do país, as rádios locais dão conta de repressão policial nos Estados de Táchira, Carabobo e Arágua.

Tribunal ordena detenção de 14 militares por morte de manifestante

Entretanto soube-se que um tribunal venezuelano ordenou hoje a detenção de 14 militares pela sua suposta responsabilidade na morte de um jovem durante os protestos antigovernamentais no estado ocidental de Lara, na Venezuela, em 11 de abril.

O provedor da Justiça, Tarek William Saab, explicou, através da sua conta na rede social ‘Twitter’, que um juiz ordenou a detenção de 14 membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) “envolvidos no crime de Grunesy Canelón”.

O jovem foi atingido por um disparo à queima-roupa, que lhe causou lesões no “pulmão direito, diafragma e fígado”, acabando por falecer 30 horas depois, de acordo com as informações dadas à agência espanhola EFE pelo deputado opositor do estado de Lara, Alfonso Marquina.

Esta morte ocorreu no meio dos protestos antigovernamentais que há quase três semanas se sucedem na Venezuela, quase todos convocados pela oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Algumas destas manifestações geraram atos violentos, que provocaram nove mortos, uma centena de feridos e quase mil detidos.

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