SOS Mediterrâneo preocupada com “mortes anunciadas” no mar

13 Jun 2018 / 14:49 H.

A directora-geral da SOS Mediterrâneo manifestou hoje preocupação com as “mortes anunciadas” no mar, depois de o Aquarius deixar a sua zona de resgate, terça-feira, para se dirigir a Valência (Espanha), após Itália recusar acolher os migrantes socorridos.

“Enquanto o Aquarius vai fazer 1.500 quilómetros para desembarcar os migrantes em Valência, o que se passa na zona de naufrágio?”, questionou Sophie Beau, durante uma conferência de imprensa em Marselha (França), onde tem sede a Organização Não Governamental (ONG) europeia.

A directora-geral afirmou que a epopeia do Aquarius, acompanhado por dois barcos italianos, para transportar 629 migrantes -- maioritariamente originários de África -- até Valência, deixa um grande vazio ao largo da costa líbia, onde todos os dias dezenas de pessoas tentam atravessar em embarcações improvisadas.

Além do navio de casco laranja e branco, outro navio da guarda costeira italiana que faz parte da escolta que navega para Valência, deixou também a zona de resgate.

“É a ausência de meios cruciais para salvar vidas e são novas vítimas que acontecem debaixo dos nossos olhos, que são mortes anunciadas”, denunciou Beau.

Durante um naufrágio ocorrido terça-feira, segundo a SOS Mediterrâneo, apesar do socorro prestado pela ONG alemã Sea-Watch e de um barco americano, 41 náufragos foram socorridos e pelo menos 12 pessoas morreram.

“Em geral, há pelo menos 100 pessoas por embarcação insuflável, pelo que não podemos saber o impacto deste novo naufrágio”, disse.