Ex-director do FBI diz que a Casa Branca “mentiu” e difamou-o para o despedir
O ex-diretor do FBI James Comey disse hoje que a Casa Branca, a administração do Presidente Donald Trump, difundiu “mentiras” e difamou-o ao explicar as razões pelas quais foi despedido do cargo, em maio.
Comey, que está a ser ouvido pelo Comité de Serviços de Informações (Intelligence) do Senado (a câmara alta do Congresso norte-americano), mostrou-se “surpreendido” e “confuso” com a decisão de Trump de afastá-lo da liderança da agência de polícia federal FBI, que tem a responsabilidade sobre o contra-terrorismo e a contra-espionagem.
Ainda assim, Comey assegurou que Trump divulgou “mentiras” sobre si.
“A administração escolheu difamar-me e, muito mais grave, difamar o FBI, ao dizer que a organização estava mergulhada no caos (...), que o seu pessoal tinha perdido a confiança no seu líder. Isso foi mentira, pura e simplesmente”, disse Comey.
Para Comey, o “FBI é honesto, forte e independente” e vai funcionar bem, com ou sem ele.
Para justificar a decisão de despedir Comey, Trump afirmou que o FBI estava mergulhado “no caos” e que os agentes federais tinham perdido a confiança no seu líder.
Comey também declarou hoje que o Presidente Donald Trump não lhe ordenou, especificamente, que parasse a investigação sobre a alegada ingerência russa nas presidenciais, mas que o instruiu nesse sentido.
“Diretor Comey, o Presidente pediu-lhe, em algum momento, que parasse a investigação do FBI sobre a ingerência russa nas eleições americanas de 2016?”, perguntou o presidente do Comité de Serviços de Informação [Intelligence], Richard Burr, no decorrer de uma audição no congresso ao antigo diretor do FBI.
“Não”, respondeu Comey, dando a mesma resposta à questão sobre se “algum indivíduo da administração” Trump o tinha feito.
Segundo Comey, não houve uma ordem explícita nesse sentido, mas o ex-diretor interpretou uma conversa com o Presidente Trump como “uma instrução” para abandonar as investigações.
Na quarta-feira, numa declaração escrita enviada ao Congresso, James Comey tinha adiantado que Donald Trump lhe sugeriu que abandonasse a investigação a Michael Flynn, ex-conselheiro envolvido no caso da alegada ingerência russa nas presidenciais.
Relatando um encontro realizado a 14 de fevereiro na Sala Oval (gabinete presidencial), Comey escreve que o Presidente Donald Trump falou com ele sobre a investigação relacionada com o ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn, acusado de mentir sobre contactos com responsáveis russos, e declarou: “Espero que possa encontrar uma forma de abandonar isto, de deixar Flynn. É um bom homem”.