Refugiados junto ao parlamento para pedir expulsão de embaixador em Lisboa
Cerca de duas dezenas de refugiados iranianos em Portugal exigiram hoje em frente da Assembleia da República a expulsão do embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, e o fim do regime teocrático em Teerão.
Em declarações aos jornalistas, Manaar Saedimajd, 35 anos, natural de Teerão e a viver há três anos em Lisboa, acusou o regime iraniano de ter massacrado, ao longo de décadas, milhões de inocentes civis e pediu o apoio da comunidade internacional para pôr termo à situação.
Esta responsável pela organização da manifestação defendeu também a liberdade para o Irão e a entrega do poder ao filho mais velho do último xá, Reza Pahlavi, exigindo, entre gritos de ordem, o "fim do regime terrorista", que "perdeu a sua legitimidade".
"Hoje estamos aqui porque as pessoas no Irão não têm voz. Nós somos a voz deles, nós queremos que Portugal atue, queremos que expulse o embaixador, que eles não têm nenhuma legitimidade aqui. Queremos que o nosso líder de transição, que é o rei Reza Pahlavi, seja reconhecido", argumentou Saedimajd.
Questionada pela agência Lusa sobre a razão de algumas palavras de ordem de agradecimento a Portugal, a também chefe de projeto de uma pequena empresa tecnológica explicou que o Governo português permite que vivam no país e, acima de tudo, porque ajudaram os Estados Unidos a atacar o Irão "utilizando a base [militar das Lages] nos Açores para ajudar as pessoas a serem libertadas".
Os manifestantes reclamaram também junto do parlamento o corte de relações diplomáticas entre Lisboa e Teerão, à semelhança de todas as representações diplomáticas na Europa associadas às atuais autoridades da República Islâmica.
Entre as palavras de ordem, destacou-se também o "amor" que os manifestantes declararam pelo Presidente norte-americano. Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que, no sábado, iniciaram um ataque militar contra o Irão.
"Pahlavi é a nossa escolha", declararam os iranianos na concentração, justificando que o príncipe herdeiro é "a voz do povo".
Nesse mesmo sentido se pronunciou o cidadão português de origem israelita Paulo Levy, natural de Lisboa, 63 anos, adiantando que decidiu participar na manifestação por ser "impossível ficar em casa perante tudo o que está a acontecer no Médio Oriente".
À pergunta sobre a legalidade do ataque norte-americano e israelita ao Irão, sobretudo por não ter acontecido em concertação com as Nações Unidas, Paulo Levy desdramatizou, uma vez que, hoje em dia, o mundo "não se pode reger pela ONU".
"Nós sabemos o que se passa nas Nações Unidas hoje em dia, já há muito tempo. Não nos podemos reger pelas Nações Unidas e quem não ataca é atacado. Por isso, temos que defender os nossos e, ao fazer isso, protegemos também o ocidente", argumentou, em declarações à Lusa.
Sobre a morte do líder supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, abatido no sábado, Paulo Levy referiu que esse momento acaba por congregar a vontade de todos os que lutam para o fim do regime teocrático.
"É só a nossa esperança. A esperança é a última a morrer. A esperança agora é que o povo iraniano venha realmente para a rua, juntamente com todos os países árabes que apoiam o Irão, para acabar esta guerra o mais rapidamente possível", sustentou.
Sobre se já há demasiados mártires no conflito, Paulo Levy comentou tratar-se dos "efeitos colaterais da guerra".
"Ninguém quer uma guerra. Mas nós fomos atacados, nós fomos massacrados no dia 07 de outubro [de 2023 no ataque conduzido pelo movimento extremista palestiniano Hamas contra Israel]. E agora estamos a defender-nos. Isto não é um ataque. Isto não é um ataque aos nossos irmãos muçulmanos. Isto é um ataque aos radicais islâmicos que, como todos sabemos, estão a tomar conta da Europa. Por isso é que Trump está a fazer o que está a fazer", afirmou Paulo Levy, frisando apoiar Trump e Netanyahu "em 200%".
Israel e Estados Unidos lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva ao Irão para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", tendo matado o guia supremo iraniano, o 'ayatollah' Ali Khamenei, e grande parte dos altos responsáveis da Guarda Revolucionária.
O Conselho de Liderança Iraniano dirige o país após a morte de Khamenei.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.
Segundo as autoridades iranianas, os ataques israelitas e norte-americanos causaram, até agora, mais de mil mortos. Os Estados Unidos confirmaram a morte de seis militares norte-americanos.