Tridente integra operação da UE Sophia e apoia NATO no Mediterrâneo

19 Mar 2019 / 06:07 H.

O submarino da Marinha portuguesa “Tridente” largou ontem da base naval de Lisboa para integrar a operação da União Europeia “Sophia” e estará em simultâneo em “apoio” à missão da NATO “Sea guardian”, durante dois meses, no Mediterrâneo.

A operação “Sophia”, iniciada em 2015, teve o seu mandato prorrogado pelo Conselho da União Europeia até 31 de março de 2019, a menor das prorrogações até ao momento - a última, em julho de 2017, tinha sido por um ano e meio.

Em declarações à Lusa, o porta-voz do Estado-Maior-General das Forças Armadas, (EMGFA), comandante Coelho Dias, disse que o submarino português integrará a operação “Sophia” e, caso não seja novamente prorrogada, continuará no Mediterrâneo em “apoio associado” à operação da NATO “Sea Guardian”.

A operação “Sophia” visa desmantelar o modelo de negócio dos passadores e dos traficantes de seres humanos na zona sul do Mediterrâneo central, tendo ainda como missão o salvamento de vidas no mar.

Os navios participantes desembarcam os migrantes resgatados em portos italianos, onde a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) instalou postos de registo e identificação das pessoas.

Em comunicado, o EMGFA referiu que o submarino “Tridente” e os seus 36 militares irão contribuir para a “recolha de informação que será partilhada com as autoridades regionais com competências para o salvamento marítimo” visando a identificação “de embarcações sobrelotadas com migrantes, contribuindo assim para a diminuição do risco de perda de vidas humanas” naquela região.

O submarino da Marinha portuguesa estará em simultâneo “em apoio associado à operação da NATO `Sea Guardian´, disponibilizando as suas capacidades e sistemas para a recolha de elementos de informação no âmbito do conhecimento situacional marítimo” no Mediterrâneo Central, dados que “serão partilhados com a estrutura de comandos marítimos da Aliança”.

Esta missão será a primeira na história dos submarinos da Marinha portuguesa que integra na sua guarnição uma mulher, entre os 36 militares, Noemie Freire, que desempenhará funções como “marinheira submarinista de operações”.

No passado dia 21 de dezembro, o Conselho da União Europeia prolongou por mais três meses o mandato da Operação Sophia, destinada a combater as redes criminosas que traficam migrantes no Mediterrâneo central, sem avançar soluções para os obstáculos levantados pelo Governo italiano.

Na nota então divulgada, o Conselho recorda que a operação contribui para os esforços da União Europeia para “devolver a estabilidade e a segurança à Líbia e para a segurança marítima na região do Mediterrâneo central”.

No mesmo dia, a agência France-Presse noticiou, citando uma fonte diplomática, que se tratou de “uma extensão técnica de três meses”, com o propósito de conferir mais tempo aos Estados-membros para encontrarem soluções para responder à recusa do executivo populista italiano em acolher migrantes nos seus portos.

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