Portugueses perdem metade do dia de trabalho em “actividades desnecessárias”

15 Nov 2019 / 00:17 H.

Mais de metade da jornada de trabalho dos portugueses (54%) é perdida em “atividades desnecessárias” como reuniões, chamadas telefónicas, ‘emails’ e “outras distrações”, segundo um estudo encomendado pela Microsoft e ontem divulgado.

Desenvolvido pelo especialista em comportamento organizacional Michael Parke, em parceria com a London Business School, o estudo “When change is the new normal” foi realizado em agosto de 2019 -- através e de um inquérito ‘online’ que foi respondido por cerca de 9.000 pessoas, de 15 países europeus e oriundas de 10 indústrias diferentes -- e propõe-se “identificar soluções para as organizações desenvolverem todo o potencial das pessoas, num mundo em profunda mutação”.

Em Portugal, 95% dos inquiridos afirmou “que, nos últimos anos, as suas organizações atravessaram, pelo menos, uma grande mudança organizacional de caráter tecnológico, de liderança, de estrutura ou de natureza comercial”, uma circunstância que “coloca grandes desafios às pessoas e que obriga as organizações a desenvolverem uma cultura de inovação”.

“Cultura essa que -- salienta -- depende tanto das pessoas, como dos processos e da tecnologia”.

Segundo o estudo, “as organizações com culturas de inovação têm duas vezes mais probabilidade de conseguir crescimentos de dois dígitos e revelam uma grande preocupação com os processos de trabalho”: “Em particular, conjugam três características: não se limitam a derrubar barreiras, constroem pontes; capacitam as equipas e promovem uma cultura de criatividade e aprendizagem; e protegem a concentração e promovem a fluidez do trabalho”, refere.

Para que tal seja possível, o trabalho conclui que “as organizações têm de oferecer aos colaboradores um ambiente de trabalho flexível (que favoreça tanto o trabalho de equipa, como o trabalho individual), a tecnologia adequada (para as pessoas poderem trabalhar quando e onde entenderem) e rodear-se de gestores que convivam bem com diferentes formas de trabalho”.

“Conjugar tudo isto exige um grande esforço, mas o estudo demonstra que, quando as pessoas conseguem fazer o seu trabalho de forma fluida e concentrada, são três vezes mais felizes, mais criativas e, por consequência, mais produtivas”, conclui, acrescentando: “Sobretudo se forem autónomas e se tiverem capacidade de decisão”.

Citada num comunicado, a diretora da Unidade de Negócio de Produtividade & Colaboração da Microsoft Portugal, Teresa Virgínia, sustenta que, “numa altura de profundas mudanças como a atual, é muito natural que surjam situações que condicionam o desempenho e a satisfação das pessoas e, por consequência, a performance das organizações”.

“Assim, é fundamental que as organizações combinem um bom ambiente de trabalho, as melhores soluções tecnológicas e o apoio de gestores, para mobilizar as pessoas em torno de uma mudança de cultura organizacional”, considera.

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