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Portugal é há 20 anos campeão europeu dos incêndios

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O presidente do Conselho Nacional da Água, Poças Martins, afirmou hoje em Vila Nova de Gaia que “Portugal é há 20 anos campeão europeu dos incêndios, em razão da limpeza de matas que não é cumprida”.

Orador num debate subordinado ao tema “O ambiente como preocupação global: retrato de Portugal”, integrado no Fórum Internacional “Gaia todo um mundo” que vai decorrer até domingo, recusou a ideia de que o foco dos incêndios parta do indivíduo.

“Em Portugal gastam-se 70 milhões de euros/ano no combate aos incêndios e quase 30 ME na prevenção, quando deveria ser ao contrário”, salientou o também professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto para quem, do ponto de vista ambiental “o país está melhor do que há 20/30 anos”.

A desertificação no interior é, para Poças Martins, “um dos problemas estruturantes que impede o país de ser ainda melhor”, ao mesmo tempo que apontou a “divisão administrativa” como a causa para os fogos florestais.

“Mas o que conseguimos ao longo dos anos é mais valioso e quero acreditar que vamos conseguir manter esta qualidade ambiental e que esta se venha a traduzir em qualidade de vida e económica”, disse.

Num debate em que as questões colocadas pelos presentes chocou com o otimismo dos oradores, temas como o exemplo que deve vir de cima, a pressão turística em Lisboa e a exploração dos hidrocarbonetos na costa portuguesa e da legislação em torno das ciclovias acabaram por dominar a tarde à conversa em Vila de Nova de Gaia.

Para Pimenta Machado, administrador regional da Administração da Região Hidrográfica do Norte - Agência Portuguesa do Ambiente, Portugal “fez um trajeto muito positivo desde a década de 1980”.

“Na década de 1990 havia ainda problemas no fornecimento de água à região do Porto e hoje chega a 95% do território enquanto a sua qualidade é de 99% e o saneamento abrange 95% do país o que, internacionalmente, é reconhecido como o milagre português”, salientou Pimenta Machado.

Reconhecendo “haver questões que ainda não estão resolvidas”, o responsável argumentou que a “área da educação ambiental é fundamental”.

“O sermos responsáveis pelo nosso próprio lixo, envolvendo toda a sociedade, das escolas à sociedade científica, para que essa prática se institua, é um passo muito importante para uma melhor qualidade de vida”, argumentou.

António Santos, adjunto do ministro do Ambiente, trouxe ao debate a perspetiva do Governo e falou sobre a “Mobilidade suave: impacto no ambiente e nas cidades”.

No essencial, o governante falou das linhas orientadoras com que se pretende convencer os cidadãos ao uso da bicicleta ou do andar a pé nas suas deslocações diárias.

“Atualmente, as cidades concentram mais de 50% da população mundial e um terço do consumo decorre do recurso aos transportes”, revelou António Santos que fez a apologia de “uma mobilidade suave na construção de uma cidade mais tecnológica e inteligente”.

Lembrou que em cidades como “Roma, Madrid e Barcelona há um sistema de scooters elétricas disponíveis a partir de aplicação de telemóvel” e que está em estudo em Portugal “possibilitar aos funcionários públicos o aluguer de bicicletas, para que passem a fazer as deslocações de casa para o trabalho e vice-versa dessa forma”.

Da religião à moda, passando pelas instalações nucleares, energia, hidrografia ou cidades sustentáveis, são mais de 20 personalidades de vários pontos do mundo que participam em painéis de debate que terão lugar no fórum em Vila Nova de Gaia, em locais tão distintos como o Convento Corpus Christi ou o Armazém 22.