Joacine Moreira não abdica de lugar no Parlamento
“Eu nasci para estar ali. Eu vou continuar ali”, afirmou a ex-deputada do Livre
Joacine Katar Moreira, deputada eleita pelas listas do Livre mas agora independente, marcou presença, este sábado (dia 1 de Fevereiro), na manifestação contra o racismo e a violência policial, que decorreu em Lisboa, em apoio à portuguesa de origem angolana Cláudia Simões alegadamente agredida pela polícia na Amadora.
Numa intervenção empolgada, que partilhou na sua página de Facebook [e que pode conferir abaixo], garantiu que não vai abdicar do seu lugar na Assembleia da República.
“Eu não vou permitir que ninguém me diga que eu não estou onde devia estar. Eu nasci para estar ali. Eu nasci para estar ali. E vou continuar ali. Eu não me imagino em mais sítio nenhum hoje. Lamento muito”, afirmou Joacine, citada pelo Diário de Notícias de Lisboa.
“Eu adoro estar aqui porque a minha gaguez desaparece. Mas enquanto a minha gaguez não desaparecer na Assembleia não saio de lá também”, acrescentou a deputada, cuja gaguez é um dos traços que mais comentários gerou aquando da sua eleição para o Parlamento.
Joacine falou também do comentário do líder do Chega, e deputado, André Ventura, que sugeriu “devolver Joacine” ao seu país de origem [Guiné-Bissau] em reacção à proposta da deputada sobre a devolução de património cultural às ex-colónias.
“Nós temos de garantir que nenhum racista se sente demasiado à vontade. Foi para isso ou não foi que se fez a revolução do 25 de abril? Foi ou não foi? Para que os fascistas ficassem inquietos, desconfortáveis, calados... Foi ou não foi? E então? E agora é normal os fascistas falarem? Os fascistas mandarem-me para a minha terra? É normal este ódio, esta desinformação, este racismo institucional?”, questionou a deputada a quem o Livre retirou a confiança política na passada quinta-feira, sublinhando que “vivemos numa sociedade que reclama ser antifascista, mas queremos que a mesma sociedade se declare antirracista”.