Especialista considera que energia nuclear deve ser considerada para atingir sustentabilidade

19 Mar 2019 / 04:01 H.

Mohan Munasinghe, um ex-responsável do painel da ONU para as alterações climáticas, defendeu ontem em Lisboa que a energia nuclear deve ser uma das opções em cima da mesa para conseguir sustentabilidade ambiental.

Falando num encontro promovido pelo Jornal Económico, Mohan Munasinghe, que foi vice-presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU, organização premiada com o Nobel da Paz em 2007, afirmou que é preciso ter alternativas e que não há uma solução única para ter energia de forma sustentável, seja qual for a sua origem.

“Devemos manter a opção nuclear em aberto, podemos de precisar de todas [as formas de energia] ou uma combinação de várias”, sustentou, frisando que “os países têm o direito de escolher” a forma como obtêm a energia de que precisam, uma questão de “liberdade e democracia”.

O académico salientou que não é “um defensor da energia nuclear” e que partilha os receios que esta levanta por causa da hipótese de ser mal usada, defendendo antes que fontes como o biocombustível, solar ou nuclear podem concorrer em conjunto.

Mohan Munasinghe reconheceu que há a realidade dos países pobres e a dos países ricos e que cada um terá um papel diferente, reconhecendo todos que as alterações climáticas estão a acontecer.

No caso dos países mais pobres, recomenda que se adaptem às alterações climáticas para proteger os seus cidadãos, no caso dos mais ricos, devem esforçar-se por mitigar e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, porque “é o seu estilo de vida que cria grande parte do problema”.

O Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura global tem “metas que foram muito aplaudidas”, mas o compromisso real dos países ainda não é suficiente para garantir que os objetivos são cumpridos e só “uma pequena fração” do dinheiro necessário para adaptar a economia e torná-la mais sustentável é que está comprometido para lá chegar, declarou.

O físico natural do Sri Lanka considerou que “é enganador considerar que o sistema financeiro vai fazer as mudanças necessárias” e afirmou que terão que ser os consumidores, “na sua ação individual”, a pedir a mudança e as “grandes reformas” necessárias.

Quanto a Portugal, “é um país pequeno, mas os países pequenos e médios podem fazer muito” com o exemplo que derem, apontou.

“O que se faz [nos países pequenos] pela sustentabilidade ou contra alterações climáticas não muda os números totais, mas pode dar-se um exemplo” a economias maiores que têm mais responsabilidade nas emissões poluentes, como a China ou os Estados Unidos.

Questionado sobre as migrações de milhões de pessoas pelo mundo, Munasinghe afirmou que cerca de 5% se podem atribuir atualmente às alterações climáticas, um número que poderá aumentar “daqui a cinquenta anos”.

“Agora estamos a fazer muita coisa para as provocar”, afirmou, referindo-se a conflitos e agitação política, e apelando para que “não se culpem as alterações climáticas por tudo”.

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