Cientista português recebe 150 mil euros para estudar rejuvenescimento muscular

Lisboa /
15 Jan 2020 / 12:06 H.

O cientista Pedro Sousa-Victor vai receber uma bolsa de 150 mil euros, promovida pela Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO), para trabalhar sobre o rejuvenescimento de tecido muscular, com células estaminais, foi hoje divulgado.

Pedro Sousa-Victor é investigador-principal do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, tendo sido o único cientista português, de um total de nove em início de carreira, a ser contemplado com uma bolsa da EMBO para apoio à instalação de laboratórios, indicou a instituição portuguesa em comunicado.

O financiamento é atribuído para o triénio 2020-2022, podendo eventualmente ser prolongado por mais dois anos, totalizando 250 mil euros.

Apesar de serem promovidas pela EMBO, que seleciona as candidaturas, as subvenções são financiadas por agências dos países que participam na Conferência Europeia de Biologia Molecular, uma organização intergovernamental. Em Portugal, o financiamento é concedido pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, na dependência do Governo.

O cientista do IMM, que regressou em 2019 a Portugal depois de ter trabalhado nos Estados Unidos, está a estudar terapias de rejuvenescimento baseadas no uso de células estaminais (células que se diferenciam noutras).

Pedro Sousa-Victor pretende testar a regeneração do tecido muscular, que se perde com o envelhecimento, causando nomeadamente dificuldades de mobilidade, recorrendo ao transplante de células estaminais e à manipulação de uma molécula natural, a MANF, cuja diminuição no organismo está associada à perda de massa e força muscular com a idade (sarcopenia).

O investigador propõe-se aprofundar o estudo desta molécula e testar o transplante de células estaminais de tecido muscular em ratinhos envelhecidos.

A bolsa da EMBO atribuída a Pedro Sousa-Victor destina-se a cientistas em início de carreira que criam laboratórios na República Checa, Polónia, Portugal e Turquia com o propósito de fortalecer a investigação em ciências da vida nestes países.

Além do financiamento que recebem para instalar laboratórios, os investigadores premiados com esta bolsa passam a fazer parte da rede de jovens cientistas da Organização Europeia de Biologia Molecular, da qual poderão beneficiar de outro tipo de apoios, como formação, mentoria e organização de ‘workshops’ ou conferências.