Três notas no fim do ano

Não seria mais sensato e barato, reestruturar o atual hospital?

07 Dez 2018 / 02:00 H.

Sondagens

Ao ler as recentes sondagens levadas a cabo pelo Jornal da Madeira, o que me chamou mais a atenção não foram os resultados dos diversos partidos, mas o facto de que 75% dos inquiridos se ter recusado a dizer qual tinha sido a sua opção. Este facto é bem revelador do medo que as pessoas ainda sentem em exprimir a sua opinião em liberdade, de que a democracia na Madeira se esgota apenas no ato de votar e de que o 25 de Abril, passados 44 anos, pelos vistos, ainda cá não chegou na sua plenitude.

Em relação aos resultados das sondagens, tornam-se por demais evidentes as diferentes reações dos partidos. O JPP e o CDS põem-se à janela como a joaninha, para ver se a ratazana (PSD) quer casar com eles, depois do previsível desaire eleitoral, à procura duma eventual maioria.

O PC, como se tem visto nas últimas sessões da ALR, está mais interessado em combater o PS, do que o PSD, pois sabe muito bem para que lado o seu eleitorado está a fugir.

Foi interessante ver no último plenário da ALR a unanimidade dos partidos a atirarem-se a Cafofo e ao PS como “gato a bofe”.

Hospital

Com a aprovação do orçamento para 2019, e com a inscrição das verbas para o hospital, o PSD esgotou os pretextos para protelar mais o concurso para a execução da obra. Para mim estão por responder as seguintes questões:

Onde vai o GR arranjar o dinheiro para a sua parte da obra?

Em que valor será agravado o montante de 150.000.000€ que já gastamos anualmente no serviço da dívida contraída por AJJ?

Apesar do estado de negação e das doses maciças de propaganda do Secretário, verificam-se carências e insuficiências de toda a ordem no atual sistema de saúde, sendo esse o principal problema na saúde da RAM, que não será resolvido por um hospital novo. Não seria mais sensato e barato, reestruturar o atual hospital, investindo em simultâneo e seriamente nos cuidados primários de saúde, de forma a descongestionar o hospital? Mesmo que para a necessária ampliação fosse necessário demolir a escola H. Bento de Gouveia, que ocupa o espaço natural de crescimento do hospital, projeto que AJJ, na sua douta sapiência, resolveu inviabilizar. Com o presente decréscimo da natalidade poderia esta escola fundir-se com a Zarco que tem possibilidades de crescimento, nomeadamente na vertical. A melhor maternidade do país, a Alfredo da Costa, funciona bem num edifício do séc. XIX. Este governo, tal como o anterior, gosta mais de cimento do que de doce de ovos. Porque será?

Um modo de vida ameaçado

Na decadência e agonia deste governo, os seus protagonistas, numa tentativa desesperada de evitar o inevitável, desdobram-se num afã de medidas e iniciativas, disparando em simultâneo em todas as direções: Onde será que já vimos este filme? O presidente inaugura pasteis de manhã e sandes à tarde, o vice vai a todas as “sacristias” explicar o inexplicável, rasgam-se, ao vivo e a cores, no plenário propostas da oposição, a ordinarice e malcriação subiram de tom, renovam-se os renovados, repescam-se e reciclam-se velhas glórias do jardinismo. Até já se fala em ir buscar o próprio “Messias”, em pessoa, para dar “uma mãozinha” nas campanhas.

A situação até arranjou forma de colocar um “troll” nas “cartas do leitor”. Este(a) troll, (pena de aluguer), assina invariavelmente como “leitor identificado”. Tem uma “via verde” para a referida secção, com uma periodicidade quase diária. Esta criatura, que tem um estilo de escrita próprio, sempre de direita, e com a mesma semântica, tem todo o direito a exprimir a sua opinião em liberdade, alem de que não corre qualquer risco pois pertence à atual “situação”. Então porque é cobarde e não assume o que escreve? Tem assim tanto pavor de que o PPD perca as eleições e não quer correr quaisquer hipotéticos riscos no futuro? Porque é que “veste uma pele de cordeiro” e se quer disfarçar de “leitor comum”?

Helder Melim

Tópicos