Marketing digital

27 Mai 2019 / 02:00 H.

Nós vivemos numa era extraordinária, dizia o cientista Carl Sagan.

Já Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Económico Mundial, refere que dos muitos desafios fascinantes que enfrentamos hoje, o mais importante é compreender a nova revolução tecnológica, o que implica nada menos do que a transformação de toda a humanidade. De facto, a quarta revolução industrial bateu à porta na viragem do século e baseia-se na revolução digital. No mundo dos negócios, uma área que está a atrair grande popularidade é a do Marketing Digital. Mas para apreendermos este conceito convém primeiro compreender o Ciclo do Marketing – um conjunto de cinco estágios que sistematizam a forma como o marketing tem evoluído ao longo do tempo.

O primeiro (Estágio Artesanal) ocorre no séc. XIX e o início do séc. XX. O marketing é individualizado e interativo. Produtos e preços são ajustados a cada consumidor e a comunicação é pessoal, o que só é possível em mercados pequenos.

O segundo (Estágio Industrial) sucede entre o início do séc. XX e os anos 30. O marketing é focado no produto, na gestão das vendas e na promoção. Os preços são baixos e o marketing limita-se à logística e à venda.

O terceiro (Estágio do Consumidor) decorre entre os anos 40 e 50. Há uma transição da lógica de produção para a lógica de mercado. As empresas estão mais dependentes das escolhas dos consumidores e o mercado torna-se o seu ativo mais valioso. O marketing passa a orientar a política de produtos, preços, comunicação e distribuição, surgindo o conceito de marketing-mix.

O quarto (Estágio do Valor) situa-se entre os anos 70 e 80. O marketing passa a estar orientado para a diferenciação das empresas, através da segmentação, posicionamento e criação de valor. Estas desenvolvem marcas atraentes, com valor financeiro expressivo. A personalização tem como objetivo fidelizar clientes e a criação de valor com significado para o consumidor é a base de todas as políticas de marketing.

O quinto (Estágio Relacional) decorre desde os anos 90. O desenvolvimento das novas tecnologias revolucionou o marketing, devolvendo as virtudes da personalização, da interatividade e da relação que caracterizavam o estágio artesanal, mas abrindo-lhe novas perspetivas graças à globalização e aos meios digitais.

O que é então o Marketing Digital? Paulo Faustino define-o de forma contundente no seu novo livro – Marketing Digital na Prática: consiste no desenvolvimento de estratégias de marketing, com vista à promoção de produtos e serviços, através de canais digitais (websites, blogs, redes sociais, aplicações móveis, etc.) e de aparelhos eletrónicos (computadores, notebooks, tablets ou smartphones). São inúmeras as vantagens desta abordagem, comparativamente às do marketing tradicional. Possibilita uma segmentação de público-alvo mais incisiva, com campanhas altamente direcionadas. Permite a análise de dados em tempo real, incluindo interações, manifestações de interesse e compras de produtos/serviços. O custo é consideravelmente mais baixo. Promove interatividade entre quem anuncia e quem recebe a mensagem. Permite ainda maior agilidade na implementação de campanhas, dada a possibilidade de as criar, editar e substituir em poucos minutos.

Como dizia o poeta Rainer Rilke, «o futuro invade-nos, com o objetivo de se transformar em nós antes mesmo de acontecer». Um mundo de novas oportunidades está à vista. Cabe-nos a nós decidir se as vamos agarrar.

João Craveiro

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