Trump quer reverter programa que promove refeições mais saudáveis nas escolas

18 Jan 2020 / 10:34 H.

A Governo do republicano Donald Trump quer reverter o programa que promove refeições mais saudáveis nas escolas norte-americanas, iniciado pela ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama, informou na sexta-feira o secretário da Agricultura, Sonny Perdue.

De acordo com o comunicado citado pela agência Associated Press, o governante apresentou uma proposta de reforma federal para “atenuar” o programa que Michelle Obama criou e que poderá trazer novamente ‘pizzas’ e batatas fritas para as cantinas das escolas.

Partindo da premissa de que os alunos descartam alimentos que não sejam “apetitosos”, Sonny Perdue propôs que os legumes fossem apresentados sob a forma de legumes fritos, em vez de serem descartados das opções alimentares.

“As escolas dizem-nos que ainda há muito desperdício de alimentos e é necessário haver maior flexibilidade do senso comum para fornecer aos alunos refeições nutritivas e apetitosas”, referiu o secretário.

A proposta contempla também “mais variedades de vegetais”, além de menus ‘à la carte’, e as medidas deverão abranger mais de 100.000 escolas e 30 milhões de estudantes.

A ideia da administração Trump foi contestada pelas organizações relacionadas com a saúde.

“O Governo Trump continua a atacar a saúde das crianças sob o pretexto de simplificar os cardápios das escolas”, afirmou, em comunicado, o membro do Centro de Ciência de Interesse Público Colin Schwartz, acrescentando que a proposta vai “permitir às crianças escolherem ‘pizza’, hambúrgueres, batatas fritas e outros alimentos ricos em calorias e gorduras [saturadas]” em vez de haver “menus escolares equilibrados todos os dias”.

Também a presidente da Parceria para uma América mais Saudável, Nancy Roman, referiu que “não é apenas o que está no prato”, mas também a forma como a refeição “é preparada”.

“As crianças precisam especialmente de ser expostas a frutas e vegetais que não sejam processados”, acrescentou.

A iniciativa de Michelle Obama, adotada em 2012, foi considerada crucial para combater a obesidade infantil nos Estados Unidos, um país onde uma em cada cinco crianças e adolescentes está acima do peso recomendado para a idade.

A medida colocou restrições às quantidades de sal e leites adoçados, além de impor o aumento da presença de cereais integrais nas refeições escolares.