Professores na Venezuela denunciam salários em atraso e despedimentos injustificados

18 Jul 2019 / 22:11 H.

Dezenas de professores do ensino oficial venezuelano manifestaram-se hoje em Caracas para pedir a demissão do ministro de Educação, Aristóbulo Istúriz, a quem responsabilizam pelo não pagamento de subsídios em atrasos e por salários “de miséria”

“Vamos morrer à fome” denunciou Lourdes Villarroel, uma das professoras que marchou para reclamar também que um professor com um doutoramento recebe o mesmo salário que um operário.

Durante o protesto, que teve lugar junto da sede administrativa da Zona Educativa de Caracas, os professores usaram uma linguagem bastante violenta contra o ministro e o Governo venezuelano, instando as autoridades a levá-los presos, porque “ninguém” os calará.

Os manifestantes denunciaram que o regime não respeita os contratos de trabalho e que além de não pagar atempadamente os salários, despediu, sem justa causa, mais de 500 professores.

“Temos mais de 15 casos de professores que estão de repouso (médico) e não cobram (o salário). Também de professores que foram despedidos por problemas com diretores das escolas e no interior do país estão a cometer as piores atrocidades”, disse a secretária da Federação Venezuelana de Professores aos jornalistas.

Griselda Sánchez acusou o ministro de ser “o único professor que é milionário”, acusando-o de “ladrão e traidor” e reclamou que “há mulheres (professoras) grávidas e (professores) doentes, que não recebem o salário”, nem subsídios.

“Isso é um crime. Estás a meter-te com o nosso pão”, frisou.

Entretanto a imprensa venezuelana dá conta hoje de que 2.000 professores de Caracas abandonaram as escolas devido aos baixos salários.

Também foi revelado que as escolas públicas venezuelanas cumpriram apenas 70% do calendário correspondente ao período escolar 2018-2019 e que nalguns casos os jovens venezuelanos apenas receberam aulas durante 60 dos 202 dias escolares.

Em relação à participação dos alunos nas aulas, segundo o parlamento venezuelano, rondou os 45%, tendo os alunos sido aprovados para níveis superiores, “sem a preparação nem os conhecimentos dos objetivos do programa”.

Além dos baixos salários, os professores responsabilizam a crise, as falhas elétricas, a falta de gás doméstico, a escassez de transportes, a falta de recursos e de dinheiro, como as principais causas da ausência escolar.

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