Organização Mundial de Saúde abre assembleia anual com alerta sobre surto na RDCongo

20 Mai 2019 / 15:56 H.

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou hoje para o risco de alastramento do surto de Ébola na República Democrática do Congo, cujo combate está a ser dificultado pela violência naquele país.

“A menos que nos unamos para pôr fim a este surto, corremos um risco muito real de que alastre e se torne mais agressivo e difícil de combater”, disse.

Tedros Adhanom Ghebreyesus falava hoje na abertura da assembleia anual da organização, que durante nove dias reúne, em Genebra, ministros da Saúde de todo o mundo.

O surto de Ébola nas províncias congolesas de Kivu Norte e Ituri (nordeste) é já o segundo pior da História, com cerca de 1.700 casos confirmados e mais de 1.200 mortos desde agosto.

O combate à doença está a ser dificultado pelos ataques de grupos armados a instalações de saúde naquelas duas províncias.

Em março, num ataque ao hospital de Butembo, uma das cidades mais afetadas pelo surto, morreu o epidemiologista e especialista da OMS na luta contra o Ébola, Richard Valery Mouzoko.

“Não lutamos apenas contra o vírus, mas contra a insegurança, a violência, a desinformação e a politização do surto”, disse o diretor-geral da OMS.

Apesar das dificuldades, Tedros Adhanom Ghebreyesus sublinhou que foi já possível vacinar 120 mil pessoas contra a doença.

A vacina utilizada, que foi desenvolvida de urgência após a epidemia de Ébola que custou a vida a mais de 11 mil pessoas na África Ocidental entre 2014 e 2015, tem uma eficiência de cobertura de 97%.

A luta contra a malária foi também assinalada pelo responsável máximo da OMS, que destacou o início dos primeiros programas nacionais de vacinação contra esta doença, no mês passado, no Gana e Malaui.

Durante a reunião da assembleia da OMS, a Argentina e a Argélia serão reconhecidas como livres da malária, doença que afeta 200 milhões de pessoas por ano.

Na sua intervenção, Tedros apontou ainda a necessidade de continuarem a existir sistemas universais de saúde em todos os países, sublinhando os recentes progressos nesse sentido do Quénia, África do Sul, Filipinas, Egito e El Salvador.

“Não tem sentido moral nem económico continuar a gastar dinheiro em respostas a emergências de saúde sem investir na prevenção”, disse.

O responsável anunciou também a criação da OMS de uma divisão que irá trabalhar com os governos na preparação de respostas a futuros alertas de saúde.