ONG denuncia mais de mil recrutamentos de crianças para guerra no Iémen em 2018

16 Jul 2019 / 10:49 H.

A organização de direitos humanos do Iémen Mwatana denunciou hoje que, só no ano passado, foram recrutadas mais de mil crianças no país, a maioria das quais nas milícias xiitas houthis, para integrarem conflitos militares.

No relatório anual hoje apresentado pela Mwatana em Paris, a organização apresenta provas de pelo menos “1.117 casos de crianças recrutadas ou utilizadas para fins militares em 2018”, das quais “72% pelo grupo armado Ansar Allah (houthis)”, incluindo jovens meninas.

Apesar de a maioria ser recrutada pelo Ansar Allah, todos os grupos de combatentes cometem este tipo de abusos, contrariando a lei internacional, segundo a organização não governamental (ONG), que diz que 17% dos casos são de forças pró-emirados (coligação Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos) e 11% das forças leais ao presidente iemenita.

Esta é a primeira vez que a Mwatana documenta casos de recrutamento de menores neste conflito - em curso desde 2014 -, que está na origem da pior crise humanitária atual, com dezenas de milhares de mortos.

As crianças são usadas “por todas as partes do conflito” para “combater, fazer vigilância nos pontos de controlo ou levar apoio logístico às operações militares”.

A Mwatana cita vários casos específicos, incluindo o de 16 jovens “todos menores de 17 anos”, treinados em combate, em setembro de 2018, pelo grupo Ansar Allah, na província de Hwarah (Leste do Iémen).

Segundo a ONG, o relatório “A vida em terreno baldio: a situação dos direitos humanos no Iémen em 2018” foi realizado com base em 2.065 entrevistas em árabe a vítimas, aos seus parentes, a testemunhas e a pessoal médico e humanitário.

A Mwatana denuncia ainda a proliferação de ataques contra hospitais e instalações médicas (16), a obstrução a ajuda no terreno em pelo menos 74 casos, “dos quais 83% por houthis”, 60 ataques a escolas e “sete casos de agressões sexuais, incluindo oito contra crianças”.

Além disso, o documento aponta a morte de 375 civis em ataques aéreos da coligação anti-xiita liderada pela Arábia Saudita, detenções arbitrárias, torturas e desaparecimentos.

“Todos os dias, as partes em conflito atacam civis”, acusou a presidente da Mwatana, Radhia Al Mutawakel, pedindo o fim dos apoios às forças em combate.

“Quanto mais os Estados demorarem a responsabilizar criminosos de guerra da Arábia Saudita, dos Emirados e do Iémen, mais difícil será reconstruir o Iémen”, afirmou, acrescentando que “a imunidade encoraja as partes a continuar a cometer abusos atrozes e devastadores”.

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