Novo modelo de habitação em Toronto quer contrariar crise imobiliária

19 Jan 2020 / 05:05 H.

Um novo modelo de habitação pretende ajudar na crise do setor imobiliário na maior cidade do Canadá, denominado por ‘laneway suites’, que já podem ser construídas nas traseiras das residências urbanas de Toronto.

No contexto da arquitetura norte-americana, marcada por zonas urbanas e ruas perpendiculares, em que há “pequenas ruas de acesso às garagens localizadas em anexo às habitações”, estas ruelas podem ter um “maior aproveitamento para a construção de apartamentos”, disse hoje à agência Lusa a vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto, Ana Bailão.

“Há quilómetros destas vias que não são, na minha opinião e de muitos dos meus colegas, utilizados no seu potencial”, sublinhou, referindo-se aos cerca de 300 quilómetros de vias existentes em Toronto, disponíveis para a construção de apartamentos junto às várias residências.

A vereadora eleita pelo bairro 9 de Davenport falava à Lusa durante um encontro público, numa pastelaria localizada no norte de Toronto, com a presença de várias dezenas de residentes do seu distrito eleitoral, o maior com portugueses no Canadá.

A lei municipal que autoriza a construir este tipo de habitação entrou em vigor em dezembro de 2018, existindo atualmente 52 licenças aprovadas estando outras 50 em análise pelos serviços municipais.

“Estamos a identificar que estas pessoas, ao construírem este tipo de apartamentos, pretendem ter uma fonte de rendimento extra, com um apartamento para a arrendar, ou têm uma oportunidade para terem um apartamento para colocarem os seus pais. Ou então, para os jovens terem a sua primeira casa, ganhando com isso alguma liberdade”, realçou Ana Bailão.

A luso-canadiana, que também é a presidente da Comissão Municipal de Habitação e de Planeamento Influente, frisou ainda que este modelo de habitação “vai dar asas a que haja um pouco mais de intensificação urbana na cidade de Toronto”.

“A cidade de Toronto tem crescido imenso. Nos próximos dez anos, a população vai aumentar um milhão de habitantes. Somos a cidade que mais está a crescer no Norte da América, temos 120 gruas no ar, as outras cidades nas posições atrás de nós têm 49 cada uma, são Los Angeles e Seattle [Estados Unidos]”, destacou.

Tanto o governo provincial como a autarquia de Toronto têm incentivado os proprietários de habitações a criarem apartamentos secundários, nas caves, no segundo andar das propriedades, ou nas ‘laneways’, que lhes permita “uma nova fonte de rendimento”, criando-lhes propriedades de arrendamento e mais fogos habitacionais.

“A habitação está em crise porque a população está a crescer, há uma falta de fogos habitacionais e obviamente isso tem um impacto nos preços. Estamos com uma necessidade enorme de produzir mais fogos habitacionais e de controlar aspetos como o alojamento local. Já criámos regulamento, como propriedades que são consideradas de investimento e não estão habitadas, estamos a estudar a criação de um imposto “, alertou.

Quanto à resolução da crise no setor imobiliário em Toronto, “não há uma solução”, mas terão de se implementar “medidas em conjunto com os vários governos, municipal, provincial e federal”, envolvendo ainda o setor privado.

“A criação de habitação a preços acessíveis é uma questão fundamental para a saúde económica e social da cidade, do que é hoje o engenho económico deste pais e a quarta maior cidade da América do Norte”, concluiu Ana Bailão.