Manifestantes apelam ao independentismo catalão no dia de reflexão

09 Nov 2019 / 17:27 H.

Centenas de catalães, no dia de reflexão eleitoral, manifestam-se frente à Universidade de Barcelona apelando à independência e em protesto pela libertação dos condenados do Processo independentista da Catalunha.

Sem usar símbolos ou os nomes dos três partidos republicanos catalães, ou qualquer outro partido político, que concorrem às eleições gerais de domingo, em Espanha, centenas de pessoas começaram a juntar-se frente à universidade pública no centro da capital da Catalunha com bandeiras independentistas e cartazes que pedem a libertação dos condenados do Processo.

Um grupo de jovens que se declaram republicanos distribui um folheto que defende a “queda do regime de 1978”, numa referência ao início do período da transição e à Constituição espanhola aprovada em democracia.

Depois da actuação dos “Músicos pela Liberdade”, que executaram temas de compositores sinfónicos catalães a manifestação decorre ao som de bandas de rock-folk e poetas que declamam textos “políticos”.

Um dos poemas comparou os presos do Processo independentista ao líder histórico do ANC, Nelson Mandela, e à activista norte-americana da década dos anos 1960, Angela Davis.

Não se verifica, nos discursos dos músicos e dos activistas que tomam a palavra num palco instalado na Praça da Universidade, o apelo directo ao voto nos partidos republicanos, mas a mensagem em todas as intervenções está relacionada com a “independência”.

Por outro lado, os manifestantes identificam-se com todas as “lutas do mundo”, sejam elas a revolta dos cidadãos da Região Administrativa Especial chinesa de Hong Kong contra a lei de extradição para a República Popular da China, ou com os recentes confrontos no Chile, de carácter social, ou mesmo com factos passados.

“O povo unido jamais será vencido”, disse um cantor referindo-se ao Chile da ditadura de Augusto Pinochet acabando por cantar uma música de Vítor Jara, cantautor assassinado durante o golpe de Estado de 1973.

Um poeta enumerou “desastres políticos históricos” como o desembarque norte-americano na Baía dos Porcos em Cuba e o bombardeamento do Vietname e do Laos pelos Estados Unidos na década de 1960 com o “imperialismo espanhol”.

No mesmo local, frente à porta da Faculdade de Filologia da Universidade de Barcelona, vendem-se camisolas amarelas, a cor da bandeira independentista, e outra com a inscrição “A Catalunha apoia Hong Kong”.

A manifestação foi convocada pelas mensagens da organização sem rosto “Tsunami Democrático”, que pretende marcar o dia de reflexão com apelos ao independentismo em vários pontos da Catalunha.

No local, onde também se encontram os manifestantes do acampamento que se vai dissolvendo, não se nota a presença da polícia.

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