Banco Interamericano de Desenvolvimento é primeira instituição multilateral a reconhecer Guaidó

15 Mar 2019 / 19:21 H.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou hoje o nomeado pelo líder da oposição da Venezuela, Juan Guaidó, como representante do país junto do organismo, tornando-se a primeira instituição financeira internacional a reconhecer o autoproclamado Presidente interino venezuelano.

Em comunicado, a entidade indicou que “os governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento aprovaram hoje uma resolução reconhecendo o nomeado do Sr. Juan Guaidó, Ricardo Hausmann, como governador do BID para a Venezuela”.

Numa votação separada, os governadores da Corporação Interamericana de Investimentos (CII), que é o braço do BID para empréstimos no sector privado, também deram a sua aprovação à designação de Hausmann.

Na nota, precisa-se que a votação electrónica sobre a resolução dos governadores do BID continuará aberta até às 18:30 locais (22:30 de Lisboa) de hoje, mas sublinha-se que já votou o número suficiente de governadores para cumprir os requisitos quanto a quórum para ter um voto favorável em relação à decisão.

Em consequência, “a nomeação de Hausmann tem efeito imediato”, lê-se no texto, citado pela agência noticiosa espanhola Efe.

Desta forma, o BID torna-se a primeira instituição financeira internacional a reconhecer um enviado de Juan Guaidó.

Hausmann, nomeado por Guaidó como seu delegado no BID a 04 de março, foi até agora diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional e professor de Economia do Desenvolvimento na Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade de Harvard.

Entre 1992 e 1993, trabalhou como ministro do Planeamento do segundo Governo de Carlos Andrés Pérez (1989-1993) e como membro do Diretório do Banco Central da Venezuela, de acordo com o seu perfil académico de Harvard.

Depois, entre 1994 e 2000, foi economista-chefe do BID.

A 23 de janeiro deste ano, quando Juan Guaidó se proclamou Presidente interino do país, para tal invocando alguns artigos da Constituição, o presidente do BID, o colombiano Luis Alberto Moreno, expressou o interesse do organismo em “trabalhar” com o até então líder da Assembleia Nacional venezuelana.

O BID suspendeu em maio do ano passado os empréstimos à Venezuela por incumprimento, porque tinha em atraso o pagamento de 88,3 milhões de dólares.

Devido a essa violação, “nos termos das normas do BID sobre pagamentos em dívida, o banco não pode realizar qualquer atividade de empréstimo à Venezuela até que esta salde a sua dívida”, indicou então a instituição em comunicado.

Mais de 50 países, entre os quais os Estados Unidos, reconheceram Guaidó como Presidente legítimo da Venezuela, depois de este se ter autoproclamado chefe de Estado interino, por considerar ilegítima a posse para um segundo mandato presidencial de seis anos de Nicolás Maduro, a 10 de janeiro.

O BID é a principal fonte de financiamento para o desenvolvimento da América Latina e Caraíbas da qual os Estados Unidos são membros fundadores, com uma participação equivalente a 30% do seu capital.