“Um padre é a presença do amor maior”

Palavras de D. Nuno Brás, nas ordenações dos diáconos Marco Abreu e André Pinheiro

27 Jul 2019 / 11:34 H.

Marco Abreu e André Pinheiro foram, hoje, ordenados sacerdotes, na Sé do Funchal, por D. Nuno Brás.

Numa homilia dedicada ao amor, o bispo do Funchal exultou a importância do sacerdócio, enquanto “missão irrecusável” para que a Igreja permaneça fiel aos ensinamentos de Jesus Cristo.

“Sem o sacerdócio de Jesus, poderia a Igreja julgar que tem, por si mesma, a capacidade de criar o amor — nesse preciso momento teria deixado de ser a Igreja de Jesus”, declara D. Nuno Brás, sublinhando que sem o sacerdócio a figura de Jesus seria reduzida “a um mero ponto de referência histórica, ponto de partida de uma ideologia modificável segundo os gostos, as modas, as apetências humanas; transformável de acordo com a subjectividade de cada um”.

Dirigindo-se aos (ainda) diáconos Marco Abreu e André Pinheiro disse-lhes o seguinte: “Hoje, nesta catedral, o Senhor Jesus entrega-vos o seu testamento, como fez naquela noite de Quinta-feira Santa aos que com Ele tinham participado da Última Ceia e recebido o ministério apostólico. A Sua Palavra — a Palavra que nos vem de Deus, a Palavra que é Deus — ultrapassa as barreiras do espaço e do tempo para se tornar acontecimento hoje, aqui, nas vossas vidas, nas nossas vidas (...) É uma escolha de Jesus — sua iniciativa e responsabilidade. Hoje, aqui, desaparece qualquer glória vossa. A iniciativa é de Jesus, e apenas ela há-de prevalecer: iniciativa que é missão irrecusável, tarefa a realizar, imperativo a viver”.

A missão a que se refere D. Nuno é a de que, doravante, os novos sacerdotes sejam aqueles “para quem os cristãos e o mundo devem poder olhar e descobrir o amor do Pai presente, acessível, próximo de todos”.

Refere, igualmente, que ao sacerdócio ministerial cabe “hoje (como em qualquer outra época da história), antes de mais, a tarefa de recusar a separação entre a Igreja e Jesus Cristo (...) de recordar, de ser presença viva e exigente desta centralidade do amor do Pai”.

Faz ainda distinção entre o amor humano e o amor divino, o “amor maior”. “Habituámo-nos a chamar o que está à nossa volta pelos nomes que mais gostamos, pensando que, desse modo, com os nossos poderes humanos, damos início a uma nova realidade, a um mundo novo. Nada mais ilusório. E, assim, chamámos ‘amor’ a um sentimento humano transitório, frágil, criado à nossa imagem e semelhança. E, desse modo, julgámos poder fugir à dureza — à cruz! — que o amor de Deus sempre traz consigo. Esquecemos que, desse modo, voltámos as costas também à ressurreição, à alegria”, lamenta o bispo.

Porém, na ordenação dos novos sacerdotes vê uma nova esperança: “Um Padre é a presença do amor — daquele ‘amor maior’, do amor crucificado, único a poder dar a vida”.