Tecnologia desenvolvida na Madeira utilizada em mosquitos na Tailândia

10 Fev 2020 / 18:01 H.

Os mosquitos vectores da Malária, Zika e Dengue, na Tailândia, estão a ser monitorizados por tecnologia desenvolvida por investigadores do ITI/LARSyS, entre os quais, um madeirense.

Dinarte Vasconcelos é aluno de doutoramento do Instituto Superior Técnico e investigador do ITI/ LARSyS e esteve em Banguecoque, Tailândia, na última semana, para instalar e testar os sensores bioacústicos que desenvolveu com o objectivo de monitorizar os insectos. O sistema foi desenvolvido e testado na Madeira, em colaboração com o Museu de História Natural do Funchal e o IASaúde, e é composto por um microntrolador de baixo custo acoplado a vários microfones e sistemas de comunicação de longo alcance.

O Dengue e a Malária são duas das doenças mais importantes transmitidas por mosquitos. Nas últimas décadas a incidência do Dengue aumentou cerca de 30 vezes, atingindo 390 milhões de casos por ano. A transmissão destas doenças depende da dinâmica do vector (mosquito) e dos humanos. O projecto em que os investigadores do ITI / LARSyS estão envolvidos combina um conjunto de técnicas informáticas para melhorar a monitorização do vector na Tailândia, país onde a incidência do Dengue tem aumentado consideravelmente em particular nas regiões de Banguecoque, Krabi, and Nakhon Si Thammarat.

O projecto combina a utilização de imagens de satélite e de vistas de rua (disponíveis por serviços como a Google Street View e Mapillary) para identificar potenciais focos de reprodução de mosquitos. Os resultados já publicados demonstram a eficácia dos métodos utilizados, suportados em bases de dados de imagens e aprendizagem automática para identificar potenciais recipientes que possam conter água (por exemplo contentores ou pneus) e assim produzir relatórios que permitem eliminar potenciais fontes de reprodução dos mosquitos. Esta informação é depois articulada em um sistema de apoio à decisão, que junta ainda informação sobre condições atmosféricas, incidência dos mosquitos e das doenças, entre outros.

A intervenção dos investigadores do ITI / LARSyS centra-se no desenvolvimento de sensores bioacústicos que detectam a presença dos mosquitos através de algoritmos de aprendizagem automática, identificando e classificando cada mosquito através do som emitido pelo bater das asas. O protótipo do sistema desenvolvido na Madeira custa menos de 100 euros – valor que cairá se produzido em grande escala – e detecta várias espécies de mosquitos, distinguindo machos e fêmeas e recolhendo outros parâmetros como temperatura, humidade ou pressão atmosférica~~.

Dinarte Vasconcelos é orientado pelo também madeirense Nuno Jardim Nunes, professor do IST e presidente do ITI (antigo M-ITI) e por João Pedro Gomes, também professor no IST e investigador do Instituto de Sistemas e Robótica do LARSyS.

Durante a primeira semana de Fevereiro, Dinarte Vasconcelos acompanhou a instalação dos sensores desenvolvidos e testados na Madeira com a equipa do projecto na Tailândia. O projecto é liderado pelo professor Peter Haddawy da Universidade de Bremen e também director de Investigação do Centro Mahidol-Bremen para Informática Médica da Universidade de Mahidol na Tailândia, e envolve um consórcio alargado de investigadores europeus da Universidade de Bremen e do IST, bem como das Faculdades de Medicina Tropical da Universidade de Mahidol e do Ministério da Saúde da Tailândia.