Robots Sociais e cognitivos em debate no Centro de Congressos

28 Mai 2019 / 16:34 H.

Começou a intervenção de José Santos-Victor, investigador do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa) onde fundou e dirige o Computer and Robot Vision Lab – VisLab, na 3.ª edição da Conferência Inovação e Futuro, uma organização do DIÁRIO, em parceria com a NOS e o Casino Madeira, que está a ter lugar no Centro de Congressos da Madeira.

“O nosso desafio é tentar perceber como funciona o cérebro humano. Ninguém sabe exactamente como ele funciona”. O cérebro humano é composto por cem mil milhões de neurónios, o que quer dizer que o número de ligações é muito maior: “O número de estrelas que existem no Universo”, diz o também docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores do Instituto Superior Técnico, na área da Robótica e Visão por Computador, que preparou uma intervenção sobre ‘Robots Sociais e Cognitivos: da compreensão do cérebro à emergência de uma nova era’.

O cérebro humano tem algumas particularidades, diz Santos-Victor: Está ligado a um corpo e a evolução que surgiu no mundo moldou-o. Ou seja, se o cérebro não estivesse ligado a nada, e estivesse a planar, seria diferente do cérebro humano. E é também um animal social. Explica o especialista: “O ser humano não vive isoladamente” e “esse aspecto social é tão importante que um recém nascido, apesar de nunca ter visto um rosto humano e ter uma visão muito desfocada à nascença, consegue imitar e reconhecer expressões das caras humanas. Isto porque, o cérebro humano já está desenhado à nascença. Eventualmente, por uma questão de sobrevivência (desconfiar de outro animal que possa ser um perigo).”

José Santos-Victor olha para as experiências que são feitas na neurociência - onde se colocam electros numa cabeça de animal para estudá-lo; ou se utiliza electrofisiologia com crianças através da área da psicologia, também para estudá-las: “Se conseguir construir uma máquina e replicar, ajuda a perceber melhor como funciona o cérebro humano”.

No VisLab, conta, já foram criados pelo menos três robots. O primeiro humanóide, ‘Baltazar’, ‘nasceu’ no início do milénio e teve uma vida útil de 15 anos: “Os robots reformam-se mais cedo do que os humanos”, gracejou José Santos-Victor. ‘iCub’ foi o segundo, desenhado à imagem de uma criança, “muito sofisticado, permitiu fazer muitas experiências”, e o ‘Vizzy’, com rodas, utilizado para interagir com pessoas, ir buscar cafés, entre outros.

A palestra de José Santos-Victor prossegue. Depois, será tempo um debate sobre a intervenção, com a participação do público e moderação de Ricardo Miguel Oliveira, director do DIÁRIO.