Manifestação na Deserta Grande contra a matança das cabras

17 Set 2019 / 19:26 H.

Três membros da DxE-Madeira (Direct Action Everywhere) deslocaram-se hoje até a Deserta Grande, último local onde ainda restam alguns animais vivos, e desenvolveram uma acção directa de impacto e sensibilização para aquilo que considera “um atentado a vida e à existência íntegra e pacífica das cabras das Ilhas Desertas”.

Segundo a DxE-Madeira, que deu conta desta acção através de um comunicado de imprensa, “estes animais selvagens sofrem uma agressão inaceitável”, “são exterminadas sem qualquer base científica, que se conheça, e sem misericórdia alguma” e “abatidas ou envenenadas sem qualquer respeito pela sua condição de seres vivos”. Aquele grupo defende, ainda, que “a razão e causas do seu extermínio residem em suposições, especulações e entendimentos medievais e cruéis”.

“Esta ‘técnica de conservação’ que tem sido utilizada pela Secretaria Regional de Ambiente e Recursos Naturais, através do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), desde o ano de 1996, não oferece qualquer segurança e garantia que justifique o abate destes animais”, sublinha a DxE-Madeira.

Esta organização pede, ainda, que “o relatório final da auditoria realizada recentemente pela bióloga espanhola Blanca Ramos Losada, a quem a Secretaria do Ambiente atribui apoio e cobertura para o abate das cabras das Desertas” seja “público”, por forma a se conhecer “se essa posição está plasmada no relatório entregue pela auditora ao Concelho Europeu no âmbito da renovação do Diploma Europeu para as Áreas Protegidas”.

Recorda o DxE-Madeira que “a cabra do Bugio já foi extinta em 2006 pelo uso de um rodenticida que foi usado para exterminar coelhos e ratos, no Ilhéu do Bugio”, acrescentando que “as cerca de 200 cabras selvagens que restam na Deserta Grande podem estar emparentadas geneticamente com as do Bugio”. Por isso, vincam, “para verificar esta hipótese, é necessário fazer um estudo genético das cabras das Desertas, comparando-as com as amostras existentes da cabra do Bugio”.

“Queremos, igualmente, denunciar a total impunidade do IFCN na extinção da cabra do Bugio, quando existiam diversos trabalhos técnicos e científicos para a obtenção da Classificação de Espécie Única”, sustenta a DxE-Madeira.

Ainda segundo a organização, “devido à erradicação da cabra do Bugio e da redução significativa da população de cabras das Desertas, surgiram duas espécies invasoras de plantas (abundância e tabaqueira) que estão à ser controladas mecanicamente e com uso de glifosato, um herbicida de toxicidade elevada, cujos efeitos secundários são doenças gravíssimas”. Ora, Aa aplicação do glifosato nessas ilhas rochosas e íngremes escorre, por gravidade, directamente para o mar, pondo em risco ambiental todas as espécies marinhas desde cetáceos (baleias e golfinhos), lobos marinhos, tartarugas marinhas, peixes, floras e faunas aquáticas”.

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