Lapa gigante das ilhas Selvagens será alvo de estudo por estar sob ameaça

13 Nov 2019 / 20:58 H.

Estudos sobre corais e esponjas de profundidade, o berbigão da Ria de Aveiro e a lapa gigante das ilhas Selvagens foram distinguidos com um total de 150 mil euros pelo Fundo para a Conservação dos Oceanos. Este ano, o fundo privado lançado em 2017 pelo Oceanário de Lisboa e pela Fundação Oceano Azul, premiou os três melhores projectos de conservação sobre invertebrados marinhos, avança a Agência Lusa.

E um desses projectos premiados visa estudar a genética da lapa gigante das ilhas Selvagens, na Madeira, “provavelmente um dos invertebrados marinhos mais ameaçados do Atlântico Nordeste” e que tem um “papel fundamental” no controlo do crescimento das algas.

Para efeitos de conservação da espécie, uma equipa de investigadores, sob coordenação da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, pretende saber se a lapa gigante é uma espécie exclusiva das ilhas Selvagens ou é a mesma espécie que existe na ilha de Fuerteventura, nas Canárias, Espanha, onde está “praticamente extinta”. De resto, nas ilhas Selvagens, em particular na Selvagem Pequena, a lapa gigante “foi-se tornando rara devido à sua apanha para consumo”, realça o comunicado.

Outro dos projectos premiados é o “DEEPbaseline”, que visa criar uma base de conhecimento sobre a diversidade e distribuição de corais e esponjas da plataforma continental portuguesa, a uma profundidade entre os 20 e os 750 metros.

Coordenado pelo Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (Ciimar), em Matosinhos, o trabalho pretende envolver as comunidades científica e piscatória, bem como associações e gestores de pesca.

Com base no conhecimento reunido sobre estas espécies marinhas vulneráveis, serão promovidas “acções sustentáveis de conservação e gestão”, refere o fundo em comunicado.

O Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (Cesam) da Universidade de Aveiro, igualmente distinguido, vai avaliar o estado da população de berbigão na Ria de Aveiro, cuja apanha é a “principal fonte de rendimento para muitas famílias”, muito embora “a viabilidade da actividade, a longo prazo, poderá estar em causa” devido a “doenças emergentes, sobrepesca, gestão ineficiente e degradação das condições ambientais”.

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