Filipe Sousa fala em “intensa dor e angústia” provocadas pelo acidente no Caniço

21 Abr 2019 / 14:06 H.

O presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz publicou hoje um longo texto na sua página de Facebook, onde fala do acidente trágico que vitimou turistas alemães.

Filipe Sousa começa por referir a “intensa dor e angústia que me assaltaram nos últimos três dias, após a tragédia que ceifou 29 vidas no nosso Caniço”.

“Acompanhei de perto as operações e devo dizer que dificilmente consegui, em vários momentos, conter as lágrimas. A dor de ver vidas humanas se perderem, a dor de pensar nos familiares e amigos, a dor dos sobreviventes feridos e longe da sua terra. A dor de ver o que seriam momentos de alegria em férias se transformarem no mais indizível e incompreensível destino. A dor do motorista, o senhor José Sousa, e da guia, a Jovem Carlota Gomes, nossos conterrâneos, que sofrem pelas feridas, mas que estão também desolados por um sofrimento muito mais profundo”, lamentou o autarca, testemunhando de perto todo o sofrimento.

“Sim, faço parte deste povo que gosta de receber, que partilha esta empatia pelo outro e que é a nossa profunda hospitalidade e abertura ao mundo. É esta uma das mais valias que é sempre destacada por quem nos visita: o acolhimento sincero com que são recebidos”, frisou Filipe Sousa, falando de um povo “aberto, que acolhe, que sente a alegria do outro e que sabe também partilhar e sentir de perto a dor alheia, que depressa se torna nossa”, frisando que os “sentimentos genuínos não se alteram com a tragédia que nos tocou a todos como coisa nossa”.

Falando em “profunda humanidade” de todas as equipas de socorro, referiu-se aos “homens e mulheres que deram tudo por tudo, que não hesitaram perante o horror, que não fraquejaram nunca, que apenas queriam salvar e que sentiam profundamente cada morte que se confirmava”.

Aos médicos, enfermeiros, aos bombeiros, aos polícias, aos socorridas, aos psicólogos, aos cidadãos anônimos que compareceram no local, alguns deles trabalhadores da Câmara, deixou um “abraço” e um “profundo agradecimento e admiração”.

Passado o luto, diz ser necessário “estar à altura do futuro, acompanhando os que ficaram, chorando os mortos, apoiando os que perderam os seus”.

Foi também com “muita dor profunda” que se dirigiu aos sobreviventes da tragédia, manifestando “solidariedade” e “profundo desejo de uma rápida recuperação”.

Aos que perderam os seus entes, garantiu que “a Madeira e Santa Cruz em particular, onde vive uma importante comunidade alemã, continuam à vossa espera com a amizade de sempre”.

Filipe Sousa refere que o dia 17 de Abril será um dia que nunca irá esquecer “pela dor, mas também pela humanidade que testemunhei” e termina convidando a todos para um momento ecuménico de oração que terá lugar no próximo dia 25 de Abril, às 19 horas, na Igreja Matriz do Caniço, e que será presidido pelo Bispo do Funchal, com a presença dia pastora luterana.

“A todos o meu abraço sentido e a minha amizade”, conclui Filipe Sousa.

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