Autarca da Calheta deixa aviso ao secretário do Mar sobre expansão da aquacultura

24 Jan 2020 / 11:16 H.

Carlos teles, presidente da Câmara Municipal da Calheta, já reagiu às declarações do secretário regional do Mar, afirmando que espera que o Governo Regional cumpra o que prometeu, em vésperas de eleições regionais, e não avance com a expansão dos projectos da aquacultura para Oeste, no concelho da Calheta.

Em declarações do DIÁRIO, o autarca da Calheta manifestou-se surpreendido com as declarações de Teófilo Cunha, que ontem, à RTP-Madeira, disse que nada impedia o Governo Regional de expandir a aquacultura para a zona Oeste, na costa sul da ilha da Madeira, numa altura em que o projecto para a Ponta do Sol tem ‘luz verde’ para avançar.

Tal como na Ponta do Sol, também no concelho da Calheta foi mal recebida a pretensão do Governo Regional viabilizar a concessão novas áreas marítima para a exploração da aquacultura para além da que actualmente existe, no Arco da Calheta.

“Esperto que o Governo Regional cumpra com o que prometeu à população”, deixou o aviso Carlos Teles, recordando o compromisso assumido a dois dias antes das eleições pelo secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Humberto Vasconcelos, que à data assumia também a pasta do mar.

O secretário regional do Mar, Teófilo Cunha manifestou ontem, à RTP-Madeira, que a Madeira tem condições excelentes para a aquacultura, dispondo de mais de 20 anos de experiência sobre o método de produção de peixe.

Lembrou a necessidade de garantir sustentabilidade dos recursos marinhos e apontou a oportunidade para a Madeira obter rendimento num país que importa da Grécia todos os anos 18 mil toneladas de dourada, espécie que tem grande potencial na Região para a produção em viveiro.

Na Madeira há três explorações de aquacultura na Baía da Abra, Campanário a Arco da Calheta, mas há mais duas zonas definidas para a concessão na Ponta do Sol na área marítima entre a vila da Calheta e o Jardim do Mar.

O secretário regional do Mar está empenhado em promover um trabalho pedagógico para informar a população sobre o processo seguro da aquacultura, lembrando que hoje em dia cada 10 quilos de peixe que as pessoas compram, 6 é proveniente da aquacultura.

O governante, eleito pelo CDS, considera que a Madeira não pode desperdiçar a produção de um recurso que já representa uma produção anual de mil toneladas de peixe, um negócio que ronda os 5 milhões de euros e que garante 30 postos de trabalho directos e 70 indirectos.

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