Nova temporada de “A História de Deus” procura respostas que vão além da ciência

O icónico actor norte-americano Morgan Freeman será a cara da série documental que passará no canal National Geographic Portugal a partir de 5 de Maio

21 Abr 2019 / 06:30 H.

De onde vêm as visões de Deus e quem é o diabo são dois dos temas que a terceira temporada de “A História de Deus com Morgan Freeman” vai colocar, explorando questões “que a ciência não consegue responder”, disse à Lusa o produtor James Younger.

Os seis novos episódios foram filmados ao longo de um ano em 30 cidades do mundo, incluindo Jericó e Katmandu, entre diferentes populações, diferentes crenças e práticas, numa temporada em que a equipa fez 120 mil quilómetros e decidiu “encontrar mais histórias individuais de transformação ligadas à religião”, explicou o produtor executivo.

A terceira temporada da série estreia no canal National Geographic Portugal a 05 de maio e começa com o episódio “À procura do diabo”, uma ideia que não tinha sido explorada nas temporadas anteriores.

“Começámos a pensar nas coisas que ainda não tínhamos feito”, disse Younger, revelando que esta temporada contará 36 histórias diferentes e incluirá conversas com o principal exorcista do Vaticano e filmagens com drones no interior da catedral de Notre Dame, feitas há cerca de três meses.

A primeira temporada de “A História de Deus” recebeu uma nomeação para os prémios Emmy e o episódio de estreia, em abril de 2016, foi visto por 3,5 milhões de pessoas, alcançando uma das melhores audiências do National Geographic.

“Se a ciência conseguisse dizer exatamente como é que o universo foi criado, o que é que nos vai acontecer quando morrermos, o que é a fé e porque estamos aqui, não precisaríamos de religião”, afirmou James Younger. “Mas a ciência não consegue responder a essas questões”, o que abre caminho para a fé e justifica o interesse numa série que explora as suas várias vertentes.

Uma delas, que é analisada no último episódio da nova temporada, é a das regras e leis divinas, faceta que mostra “as formas como a religião entra na vida quotidiana” e permite procurar “coisas em comum” entre os mandamentos de diversas fés.

O principal objetivo da série é “deixar que as pessoas vejam que há sempre algo em todas as religiões com as quais se podem identificar”, um contributo para diminuir o fosso entre seguidores de confissões diferentes.

A popularidade de Freeman ajuda, ainda que Younger tenha referido que foi um desafio logístico “trabalhar com uma celebridade internacional”, devido ao interesse que suscitou nas pessoas.

O produtor disse, no entanto, que Morgan Freeman “não é uma prima donna”, é “incrivelmente gentil” e “está perfeitamente feliz sentado no chão a falar com alguém num beco, da mesma forma que vai ao Vaticano”.

Quando a produção da terceira temporada foi suspensa por causa de alegações de assédio contra o ator, James Younger não temeu o cancelamento da série.

“Sempre tivemos fé em que esta série continuaria e confiança na investigação da National Geographic e da Fox, que as coisas seriam esclarecidas como foram e poderíamos continuar”, afirmou.

A investigação feita pela Fox, que detém o National Geographic, concluiu que as alegações não tinham mérito.

“Ficámos certamente contentes que a National Geographic se tenha mantido do nosso lado enquanto esperávamos pelo desfecho”, afirmou Younger, que tem a seu lado na produção executiva Lori McCreary, além do próprio Morgan Freeman.

O estilo da série coloca o ator como uma espécie de Anthony Bourdain da religião, uma analogia que James Younger considerou acertada porque o ator procura “sentar-se com as pessoas, falar com elas, entender a fundo a cultura e como isso influência a fé”, da mesma forma “que o clima de um país influencia a sua gastronomia”.

Entre as histórias que serão contadas está a de um carrasco estadual que aplicou dezenas de injeções letais a prisioneiros e mais tarde se arrependeu, tornando-se um ativista anti-pena de morte.

Morgan Freeman irá também conversar com uma ex-deusa viva no Nepal e mostrar uma religião desconhecida por muitos, o Caodaísmo no Vietname.

“Olhámos para um lado mais negro da religião, as coisas que não se devem fazer, coisas más”, explicou Younger, “e depois quisemos garantir que tínhamos algo inspirador, visões de Deus, o que faz as pessoas sentirem-se ligadas ao divino, através de sinais, sons, sentimentos, milagres”.

O produtor executivo considerou que “nunca se vão esgotar as histórias sobre Deus e religião” e, apesar de ainda não haver temporadas futuras para anunciar, seria possível “continuar a fazer isto para sempre”.

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