A precariedade é sempre a dos outros
O Sindicato dos Professores da Madeira veio defender a vinculação de todos os professores contratados a termo certo, aparentemente mesmo quando não correspondem a necessidades permanentes das escolas.
É uma tese interessante. Sobretudo gostava de saber se o SPM a aplica dentro de portas.
Os formadores do seu Centro de Formação, alguns dos quais colaboram há largos anos, estão todos vinculados ao Sindicato ou continuam a prestar serviços e a passar recibos? E os monitores das actividades físicas e de bem-estar que o próprio SPM promove - ginástica, yoga, stretching e outras - também integram os seus quadros? Não têm subordinação jurídica, horário de trabalho e utilizam as instalações, equipamentos e restantes meios disponibilizados pelo próprio Sindicato?
É sempre mais fácil combater a precariedade quando quem paga os salários é o Estado.
Faz lembrar algumas forças políticas que são implacáveis com as práticas laborais dos outros, mas bastante mais flexíveis quando passam de legisladores a empregadores. A hipocrisia tem destas coisas.
Se existem necessidades permanentes nas escolas públicas, criem-se os lugares necessários e vinculem-se os professores.
Mas, se as necessidades são temporárias ou estão a substituir outros colegas, que sentido faz transformar todos os contratos a termo em empregos permanentes?
Até porque há escolas privadas à procura de professores e o erário público não é infinito.
Antes de exigir ao Governo que vincule toda a gente, talvez fosse útil o Sindicato explicar como trata quem trabalha para si. O exemplo também é uma forma de acção sindical.
C. Santos