Expectativas orçamentais

Acrescentam-se alguns euros ao salário mínimo, seja 970,00€, 1000,00€ ou 1100,00€, mas a pergunta que fica no ar é sempre a mesma: a vida dos portugueses ficará melhor em 2027? Para quem paga as contas todos os meses, parece óbvia: não.

Tudo isto parece indiferente para quem observa o país de longe, no conforto dos seus gabinetes e das suas estatísticas optimistas, e acredita que mais uns euros no ordenado ou nas pensões compensam o aumento constante da renda da casa, da energia, dos alimentos e dos serviços básicos, incluindo a saúde.

O Governo de Montenegro apresenta algumas conquistas económicas, como se um número isolado pudesse apagar a erosão do poder de compra. Mas a realidade de muitas famílias é outra: os rendimentos continuam sob pressão e os aumentos dos salariais e das pensões nem sempre acompanham o custo de vida. Vivemos momentos de grande incerteza.

A situação internacional agrava este cenário. Tensões geopolíticas, instabilidade nos mercados e crises energéticas geram consequências graves para os países economicamente mais frágeis. E são, muitas vezes, as famílias com menos recursos que suportam a factura mais pesada.

É necessário aumentar os baixos salários, aumentar as pensões mais baixas, combater a inflação, mudar a política de habitação e melhorar efectivamente o SNS. É necessária uma visão de conjunto para travar o aperto da vida daqueles que mais necessitam.

Será que o Orçamento para 2027 vai seguir este caminho?

Carlos Oliveira