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Alterações Climáticas Madeira

Investigador defende ilhas como “laboratórios vivos” das alterações climáticas

Rui Alexandre Castanho é embaixador do Pacto Climático Europeu para Portugal e vice-coordenador do VALORIZA – Centro de Investigação para a Valorização de Recursos Endógenos, entidade coorganizadora do encontro que hoje decorreu no Colégio dos Jesuítas. 
Rui Alexandre Castanho é embaixador do Pacto Climático Europeu para Portugal e vice-coordenador do VALORIZA – Centro de Investigação para a Valorização de Recursos Endógenos, entidade coorganizadora do encontro que hoje decorreu no Colégio dos Jesuítas. , Foto ML

Rui Alexandre Castanho, embaixador do Pacto Climático Europeu para Portugal e vice-coordenador do VALORIZA – Centro de Investigação para a Valorização de Recursos Endógenos, destacou, na manhã desta quinta-feira, no encontro ‘Da Acção Local ao Impacto Global: Governação Climática nos Territórios Insulares’, promovido em parceria com o PAN Madeira, a importância de reunir no mesmo espaço academia, instituições, decisores políticos e sociedade civil para identificar problemas e possíveis respostas.

O investigador explicou que o objectivo da iniciativa que hoje teve lugar passa por ouvir as diferentes partes e chegar ao final do encontro com "algumas potenciais soluções", que possam posteriormente ser projectadas para outros níveis de decisão, incluindo o europeu e internacional.

Castanho chamou a atenção para o facto de as alterações climáticas não respeitarem fronteiras políticas, pelo que o cumprimento das metas de um único país é insuficiente perante um problema de dimensão global. Ainda assim, considera fundamental encontrar respostas adaptadas às especificidades regionais e locais.

É neste contexto que enquadra a discussão dedicada aos territórios insulares. O investigador reconheceu que as regiões ultraperiféricas apresentam vulnerabilidades particulares, incluindo uma maior dependência de sectores como o turismo, mas entende que as ilhas também podem funcionar como "living labs", ou "laboratórios vivos", onde determinadas soluções podem ser testadas antes de uma eventual aplicação a outros territórios.

No caso da Madeira, Rui Alexandre Castanho recordou a exposição a fenómenos como inundações rápidas e incêndios e defendeu uma maior aposta na prevenção e mitigação, incluindo ao nível do ordenamento do território. O investigador alertou para a continuação de opções de construção e impermeabilização dos solos que podem agravar os efeitos de fenómenos extremos, defendendo que as recomendações científicas devem ter maior tradução nas decisões políticas e nos instrumentos de planeamento.

A discussão terá continuidade na próxima semana na ilha Terceira, nos Açores, num encontro que Castanho descreveu como uma espécie de evento “espelho” daquele que hoje decorre na Madeira.