DNOTICIAS.PT
Mundo

Netanyahu anuncia iniciativa para revogar cidadania a quem difamar o exército

None
Foto Arquivo

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou hoje que planeia apresentar uma iniciativa para revogar a cidadania daqueles que "difamam o exército", após a crise desencadeada pelo documentário 'NAZA', que expõe crimes cometidos pelos militares em Gaza.

O líder israelita, que também pretende apresentar outro projeto de lei para criminalizar a alegada ofensa contra as Forças de Defesa de Israel (FDI), disse que espera que "todos os grupos parlamentares no Knesset [parlamento] que afirmem apoiar a ideia sionista os apoiem".

"O primeiro revogaria a cidadania de qualquer pessoa que difamasse soldados das FDI, e o segundo iria para os seus bolsos multiplicando por vinte o montante da compensação pela qual podem ser processados por difamação", disse Netanyahu num vídeo publicado na sua conta da rede social X.

Na mensagem, acrescenta: "Vamos acertar-lhes tanto no bolso como na cidadania, porque não têm lugar entre nós".

Quando falta menos de um mês e meio para as eleições parlamentares em Israel, que decidirão o próprio futuro político de Netanyahu, o líder do Likud apresentará em breve esta segunda proposta através do Ministério da Justiça, que aumentaria o montante das exigências para um máximo de um milhão de shekels (cerca de 286.230 euros à taxa de câmbio atual), segundo a imprensa israelita.

O projeto de lei relativo à revogação da cidadania para aqueles que "espalham difamações sobre soldados das FDI e o Estado de Israel internacionalmente" deverá ser apresentado através do Ministério do Interior.

Este anúncio junta-se a uma vaga contínua de ataques contra os realizadores do documentário 'NAZA', os israelitas Yuval Abraham e Rachel Szor.

O filme, premiado no sábado passado no Festival de Cinema de Veneza com o prémio especial do júri, relata a campanha de ataques sistemáticos de Israel no enclave palestiniano, através do testemunho de 24 oficiais e soldados dos serviços secretos israelitas, que pormenorizam estratégias de espionagem telefónica e sistemas de inteligência artificial para identificar alvos.

Segundo denunciam os seus realizadores, este mecanismo funciona como um sistema em grande escala que provoca deliberadamente a morte de centenas de vítimas civis colaterais num único ataque.

O documentário gerou um terramoto no país, com milhares de mensagens de ódio nas redes contra os criadores e campanhas contra eles, nomeadamente de políticos como o ultranacionalista e ex-condenado por terrorismo Itamar Ben-Gvir, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o próprio Netanyahu.

O ministro da Cultura israelita, Miki Zohar, anunciouno domingo que tomaria medidas para revogar a cidadania dos realizadores.