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Da paixão pelo automóvel à liberdade de o trocar: porque cresce o interesse pelo renting

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Quem gosta de automóveis sempre viveu uma relação quase afectiva com o seu veículo: a escolha do modelo, a cor, os extras, até o cheiro do habitáculo novo. No entanto, algo está a mudar. Cada vez mais condutores, sobretudo entre os 30 e os 50 anos, dizem preferir a possibilidade de trocar de carro a cada poucos anos em vez de se comprometerem com um único veículo durante uma década. Não é uma moda passageira: é uma mudança de mentalidade ligada à forma como hoje se pensa a mobilidade, os custos e a liberdade de escolha.

Porque é que ter um carro próprio já não é um valor absoluto

Durante gerações, comprar um automóvel significou "chegar lá", uma meta económica e social. Hoje esse esquema já não é assim tão claro. Os custos de aquisição subiram, a tecnologia dos veículos envelhece mais depressa (basta pensar na electrificação e nos sistemas de assistência à condução que se actualizam ano após ano) e muitas famílias preferem canalizar o capital para outras prioridades, mantendo, ainda assim, o acesso a um automóvel adequado às suas necessidades do momento.

Neste contexto surge o aluguer de longo prazo, uma fórmula que permite conduzir um automóvel novo pagando uma renda mensal, sem ter de suportar o desembolso inicial típico da compra.

Aluguer de curto, médio e longo prazo: do que estamos realmente a falar

É frequente confundir fórmulas muito diferentes entre si. Vale a pena esclarecer isto desde já:

• Aluguer de curto prazo: dura menos de 30 dias, é o clássico rent-a-car para férias, deslocações profissionais ou eventos.
• Aluguer de médio prazo: abrange um período entre 1 e 24 meses, útil para quem tem necessidades temporárias (uma mudança de local de trabalho, uma obra, um período de espera pelo carro novo).
• Aluguer de longo prazo: falamos de contratos plurianuais, tipicamente de 24, 36, 48 ou 60 meses, pensados para quem quer um automóvel estável ao longo do tempo, mas sem o comprar.

Quando se fala de renting no sentido mais comum, está-se quase sempre a referir-se a esta última categoria, a que tem um horizonte temporal mais alargado e maior personalização do contracto.

Como funciona na prática o aluguer de longo prazo

O mecanismo é mais simples do que parece. O cliente escolhe um automóvel, define a duração do contracto e a quilometragem anual prevista, avalia um eventual valor de entrada (que não deve ser confundido com um sinal ou caução: trata-se de uma quantia inicial, muitas vezes opcional, que pode contribuir para reduzir a renda mensal) e assina um contracto com uma renda fixa que normalmente inclui seguro, manutenção e assistência, com pormenores que variam consoante a oferta.

A duração e a quilometragem definem-se na fase do orçamento, antes da assinatura. Posteriormente, em alguns casos é possível reajustar estes parâmetros ao longo do contracto, mas não é uma regra automática: depende das condições previstas pelo fornecedor.

No mercado europeu do aluguer operam hoje diversos intervenientes com abordagens diferentes: por um lado, há os grandes fornecedores como a Arval, a Leasys ou a Ayvens, que gerem directamente as frotas; por outro, existem plataformas como a Ayvens.com, no âmbito de seguros e financiamento, ou a Yoyomove, no sector da mobilidade, que não são proprietárias dos veículos, mas acompanham o cliente na escolha da solução mais adequada, colocando-o em contacto com os fornecedores e seguindo-o desde o pedido de orçamento até à entrega. Para quem opera também no mercado português, por exemplo, o serviço de aluguer de longa duração Yoyomove segue a mesma lógica de aconselhamento aplicada em Itália, França, Espanha, Holanda e Bélgica, adaptando a procura do automóvel e das condições contratuais ao mercado de referência.

O que inclui realmente a renda mensal

Um dos aspectos que gera mais dúvidas diz respeito ao que está efectivamente incluído no pagamento mensal. A resposta correta é: depende da oferta. De forma geral, a renda cobre muitas vezes:

• Seguro (habitualmente responsabilidade civil, com eventuais coberturas adicionais e franquias a verificar caso a caso)
• Manutenção ordinária e, consoante o plano, também extraordinária
• Assistência em viagem

Nem sempre estão incluídos a troca de pneus sazonal ou o carro de substituição em caso de avaria: quando existem, são frequentemente serviços adicionais a avaliar na fase do orçamento. Também o Imposto Único de Circulação (IUC), convém dizê-lo com clareza, fica fora da renda: no máximo pode delegar-se ao fornecedor o pagamento por comodidade, mas o imposto continua a cargo do titular.

Vantagens fiscais para as empresas: uma leitura prudente

Para trabalhadores independentes e empresas, o aluguer de longo prazo traz consigo vantagens fiscais reais, substancialmente equiparáveis às previstas para a compra ou o leasing, mas aplicadas a uma fórmula mais flexível em termos de gestão. Convém, no entanto, evitar fórmulas absolutas como "deduz tudo": o valor da dedução depende do regime fiscal da empresa, do uso do veículo e de normas que podem mudar. Quem avalia este caminho fará bem em confirmar com o seu contabilista ou com um consultor dedicado antes de estimar a poupança efectiva.

Fim do contrato: o que esperar na devolução

Outro ponto muitas vezes subestimado diz respeito ao fim do contrato. O automóvel deve ser devolvido em condições normais de desgaste: danos evidentes ou acessórios em falta podem implicar encargos adicionais, tal como os quilómetros percorridos a mais em relação ao pacote acordado, que são contabilizados a um custo pré-estabelecido por quilómetro. Já quem avalia uma rescisão antecipada deve contar que quase sempre estão previstas penalizações ou indemnizações: o aluguer de longo prazo oferece flexibilidade na gestão do dia-a-dia, mas não está isento de vínculos contractuais.

Convém ainda recordar que a entrada em vigo do contrato está sempre sujeita a aprovação por parte do fornecedor, que avalia a documentação apresentada e a viabilidade financeira do processo, incluindo as verificações nas bases de dados de crédito. Os prazos podem variar entre poucas horas e vários dias, consoante os casos.

As perguntas mais frequentes sobre o renting automóvel

O aluguer de longo prazo compensa sempre em relação à compra? Não existe uma resposta única: depende da quilometragem anual, das necessidades de renovação do veículo e da situação fiscal, no caso de empresas e profissionais.

No final do contracto o carro passa a ser propriedade do cliente? Regra geral, não. No aluguer de longo prazo o automóvel permanece propriedade do fornecedor; eventuais opções de compra no final do contrato dependem da oferta específica e não devem ser dadas como garantidas.

O que acontece se percorrer mais quilómetros do que os previstos no contrato? Habitualmente é aplicado um custo por cada quilómetro excedente, calculado de acordo com as condições indicadas no contrato assinado.

É possível rescindir o contrato antes do prazo? Sim, mas quase sempre implica penalizações ou indemnizações a pagar ao fornecedor, pelo que deve ser avaliado com atenção antes da assinatura.

O seguro incluído cobre mesmo tudo? Não necessariamente: cobre em geral a responsabilidade civil e outras coberturas de base, mas com capitais seguros, exclusões e franquias que variam de oferta para oferta, sendo sempre aconselhável verificar em detalhe antes de subscrever.

O crescente interesse por estas fórmulas conta, sobretudo, uma coisa: a vontade de continuar a viver a paixão pelo automóvel sem ficar preso a escolhas definitivas, mantendo a liberdade de adaptar o seu veículo às fases da vida que vão mudando.