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Custo de reconstrução superior a 4,7 mil milhões de dólares no Nepal

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Foto EPA/Lusa

O Nepal vai necessitar de pelo menos 4,78 mil milhões de dólares (4,12 mil milhões de euros, ao câmbio atual) para reconstruir as áreas afetadas pela enxurrada de agosto, anunciou hoje a diplomacia nepalesa.

Causada pela derrocada de um glaciar e de rochas, a vaga que devastou vales da região provocou mais de 1.400 mortos e 5.600 feridos no Nepal e na China, de acordo com os balanços oficiais mais recentes.

Entre as pessoas ainda desaparecidas figuram centenas de turistas e peregrinos estrangeiros, incluindo dois portugueses, assim como dezenas de trabalhadores empregados no Nepal em centrais hidroelétricas ou em obras de barragens.

"O orçamento total estimado para a reconstrução ascende aproximadamente a 4,78 mil milhões de dólares", declarou aos jornalistas o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Nepal, Lok Bahadur Chhetri.

"Aproximadamente 57,67 milhões de dólares [49,7 milhões de euros] serão necessários para a reconstrução imediata e operações de resgate nos próximos seis meses", precisou, citado pela agência francesa AFP.

A enxurrada destruiu também pontes, estradas, habitações e infraestruturas, obrigando milhares de pessoas a refugiarem-se em acampamentos improvisados.

Chhetri disse que 4,71 mil milhões de dólares (4,06 mil milhões de euros) são "para a reconstrução a longo prazo".

O porta-voz admitiu que o valor poderá mais elevado por decorrer ainda uma avaliação mais detalhada para "determinar a totalidade dos danos sofridos e os orçamentos necessários" para os trabalhos de reparação e reconstrução.

O Governo atribuiu a responsabilidade pela catástrofe ao aquecimento global, que está a acelerar o derretimento dos glaciares em toda a cordilheira dos Himalaias.

O primeiro-ministro, Balendra Shah, vai discursar em setembro na Assembleia Geral anual das Nações Unidas, em Nova Iorque, para defender a causa da "justiça climática", confirmou o secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Amrit Bahadur Rai.

"O chefe do Governo vai chamar a atenção da comunidade internacional para as perdas humanas e materiais sofridas pelo Nepal devido às alterações climáticas e aos desastres por elas provocados", explicou.

Mais de duas semanas após a tragédia, as operações de socorro prosseguem no Nepal para tentar localizar sobreviventes, nomeadamente em vários túneis de explorações hidroelétricas soterrados por lama e destroços.

A agência nepalesa responsável pela gestão de emergências anunciou hoje ter recuperado até agora 1.385 corpos, mantendo-se o paradeiro desconhecido de 5.130 pessoas.

Do lado chinês, a comunicação social estatal noticiou a existência de 43 mortos e 519 desaparecidos no território do Tibete, elevando o balanço total e ainda provisório da catástrofe para 1.428 mortos e 5.649 desaparecidos.