DNOTICIAS.PT
Madeira

ZERO só tem informação parcial sobre águas balneares da Madeira

Foto Rui Silva/ASPRESS
Foto Rui Silva/ASPRESS

A ZERO divulgou, esta terça-feira, uma análise que aponta para um agravamento da qualidade das águas balneares em Portugal continental, com as restrições ao banho a aumentarem 65% e as interdições a mais do que duplicarem entre Maio e Julho.

A associação ambientalista ZERO admite dispor apenas de informação parcial relativa à Madeira no balanço da qualidade das águas balneares em Portugal, actualizado com dados disponíveis até 30 de Agosto.

A análise identificou 68 águas balneares em todo o País que tiveram pelo menos uma ocorrência de água imprópria para banho, mas o retrato nacional não é ainda completo. A associação ressalva igualmente que não dispunha da totalidade dos dados dos Açores.

Três interdições depois, Machico encontra possível origem da contaminação

Hugo Marques espera reabertura amanhã da praia da Banda d’Além

No total, as 68 águas balneares identificadas registaram 87 ocorrências de água imprópria para banho. Destas, 32 são interiores, 29 costeiras e sete de transição.

A ZERO divulgou, esta terça-feira, uma análise que aponta para um agravamento da qualidade das águas balneares em Portugal continental, com as restrições ao banho a aumentarem 65% e as interdições a mais do que duplicarem entre Maio e Julho.

A análise baseou-se na comparação dos pontos de situação mensais da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Direcção-Geral da Saúde (DGS) relativos a Maio, Junho e Julho das épocas balneares de 2025 e 2026.

As restrições passaram de 51, em 2025, para 84 este ano, um aumento de 65%, apesar de o número de águas balneares identificadas ter diminuído de 526 para 523.

Os desaconselhamentos aumentaram de 34 para 45, enquanto as interdições decretadas pelas autoridades de saúde passaram de 17 para 39, uma subida de 129%. A contaminação microbiológica foi a principal causa em ambos os casos.

O número de interdições por contaminação microbiológica passou de 14 para 34, um aumento de 143%, concentrado sobretudo em Julho.

Só nesse mês foram registadas 30 interdições devido a contaminação microbiológica, mais do dobro das 14 verificadas no mesmo período de 2025.

No balanço disponível até 30 de Agosto, as águas interiores foram responsáveis por 47% das situações de água imprópria, apesar de representarem apenas cerca de 30% das águas balneares identificadas em Portugal continental.

A associação destacou as praias de Unhais da Serra, na Covilhã, com quatro ocorrências de água imprópria, e do Cabedelo, na Figueira da Foz, com três. Matosinhos foi o município com maior número de águas balneares afectadas, num total de sete.

"A ZERO manifesta a sua preocupação com a incapacidade, ano após ano, de reduzir as ocorrências de água imprópria para banho”, refere a associação, sublinhando que a comparação entre 2025 e 2026 mostra “um agravamento acentuado tanto nos desaconselhamentos como, sobretudo, nas interdições por contaminação microbiológica”.

Entre as causas apontadas estão “deficiências na rede de saneamento, descargas agropecuárias e industriais e poluição difusa”.

Para além de medidas de prevenção, é necessária uma acção inspectiva forte e sistemática, com identificação clara de responsabilidades.

A associação refere ainda que duas das 73 Praias Zero Poluição distinguidas em Maio deste ano registaram água imprópria para banho em 2026: Arda, em Viana do Castelo, e Agudela, em Matosinhos. Por esse motivo, não poderão manter a distinção em 2027.