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Robôs IA estão a ser desenvolvidos para ajudar a tratar depressão

Cientistas chineses estão a desenvolver robôs com inteligência artificial (IA) incorporada para ajudar a tratar depressão, combinando análise de sinais cerebrais com modelos de linguagem de grande escala.

"Estamos a trabalhar em IA incorporada que consegue expressar emoções para interagir de forma mais natural com as pessoas. Desenvolvemos métodos de intervenção para a depressão baseados em modelos de linguagem de grande escala", afirmou Zhiguo Zhang, professor especializado em Interfaces Cérebro-Computador, Computação Afectiva e IA Médica na Universidade de Shenzhen Hetao, durante uma conferência realizado na Universidade de Macau.

Zhang, que lidera o Centro de Linguagem, Inteligência e Máquinas daquela instituição, apontou ter realizado uma experiência social sobre intervenção por IA e concluiu que, "pelo menos na China, as preocupações com a privacidade não constituíram um obstáculo significativo ".

"As pessoas têm uma perspetiva mais positiva em relação à IA", acrescentou.

Segundo indicou durante um simpósio sobre IA emocional, a sua investigação centra-se em interfaces cérebro-computador e computação afetiva, com aplicações práticas em problemas clínicos, como a deteção precoce e a intervenção na depressão.

O cientista destacou que a construção de sistemas de IA com consciência emocional para o tratamento da depressão envolve o uso de um eletroencefalograma (EEG), um exame médico que regista a atividade elétrica do cérebro, como uma das possíveis entradas para avaliar o estado emocional do paciente.

Zhang salientou que um EEG tem "menor precisão" do que recolher informação sobre o pacientes através de áudio e vídeo. Desde então, expandiu a sua abordagem para incluir voz, expressões faciais, dispositivos vestíveis (smartwatches e smartphones) e ressonância magnética funcional (fMRI).

O investigador desenvolveu então um sistema de rastreio da depressão que combina EEG, e ressonância magnética funcional (fMRI) e dados de dispositivos vestíveis, tendo obtido "resultados muito bons".

Para responder a preocupações com a privacidade, a equipa utiliza uma técnica chamada "destilação de conhecimento", que permite que os modelos de EEG aprendam a partir dados de áudio e vídeo sem recolher diretamente informações confidenciais sensíveis.

Zhang revelou que o sistema já está a ser utilizado num hospital local em Shenzhen, na província de Guangdong (sul), para rastreio de riscos de saúde mental.

"Agora temos um perfil da saúde mental dos residentes de uma comunidade em Shenzhen", afirmou Zhang.