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O que se sabe sobre a inundação que devastou o norte do Nepal e chocou o Mundo

Na manhã de hoje, 26 de Agosto, uma onda de água e lama desceu o rio Bhotekoshi, no distrito nepalês de Rasuwa, junto à fronteira com o Tibete.

A cheia começou por volta das 9h15 (hora local, 4h30 em Lisboa) e atingiu com especial violência as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, chegando também ao lado chinês da fronteira. Imagens de videovigilância mostram povoações, albufeiras, pontes e outras infraestruturas a serem arrastadas em minutos, com moradores a fugir em desespero.

Quantas vítimas há, até agora

O balanço é ainda provisório e mudará nas próximas horas:

  • Nepal: O número de mortos na sequência da inundação devastadora no Nepal e no Tibete subiu para 160, de acordo com um novo balanço das autoridades locais às 19 horas.
  • China: Nestes 160 mortos incluem-se 3 vítimas mortais confirmadas na região tibetana de Gyirong

Quanto a desaparecidos, os números são avultados. A China contabiliza 265 pessoas sem paradeiro. Do lado nepalês, o total ronda as 900 pessoas, distribuídas por:

  • 484 turistas (93 nepaleses e 391 estrangeiros — entre eles uma cidadã portuguesa e dois espanhóis, além de indianos, norte-americanos, australianos, britânicos e outras nacionalidades)
  • 44 militares
  • 28 polícias
  • 13 elementos da Força Armada de Polícia
  • 60 trabalhadores de projectos hidroeléctricos

Além das vítimas humanas, pelo menos 80 pontes foram destruídas, nomeadamente 35 rodoviárias e 45 pedonais suspensas, e a central hidroeléctrica de Langtang Khola, recém-concluída, sofreu danos graves.

O que provocou a catástrofe

Ainda não há uma causa oficialmente confirmada. As autoridades consideraram inicialmente a hipótese de ruptura ou transbordo de um lago glaciar no Tibete, mas a explicação preliminar avançada pelo Governo nepalês aponta para um sismo.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Shishir Khanal, um abalo registado às 8h37 locais terá provocado um deslizamento de terra que bloqueou o curso do rio, originando depois a inundação repentina quando a água represada rompeu a barreira. O Serviço Geológico dos Estados Unidos confirmou um sismo de magnitude 4,4 nessa hora, com epicentro a cerca de 77 km a noroeste de Kodari.

A confirmação da causa está a ser dificultada porque as infraestruturas destruídas impedem os governos do Nepal e da China de contactar as autoridades locais nas zonas mais atingidas.

Como está a decorrer o resgate

O Governo nepalês mobilizou helicópteros do Exército e de empresas privadas para socorrer feridos e pessoas encurraladas. Até às 19 horas tinham sido resgatadas 80 pessoas por terra e 116 por via aérea.

Entre as medidas já anunciadas estão:

  • Declaração de zona de catástrofe por três meses nas áreas afetadas
  • Cuidados médicos gratuitos para feridos
  • Alojamento e alimentação para quem perdeu casa
  • Apoio financeiro imediato às famílias das vítimas mortais
  • Prioridade na reabertura de estradas cortadas e no restabelecimento de água, eletricidade e telecomunicações

Que ajuda internacional já chegou

A resposta internacional começou a mobilizar-se rapidamente:

  • A União Europeia activou o sistema de satélites Copernicus para mapear as zonas afectadas; a presidente Ursula von der Leyen garantiu disponibilidade para mobilizar mais apoio.
  • A Índia enviou 10 toneladas de ajuda humanitária e material médico.
  • Reino Unido e Estados Unidos manifestaram preocupação e disponibilidade para ajudar.
  • Em Portugal, o Governo expressou solidariedade e a associação Nialp (comunidade nepalesa em Portugal) anunciou uma recolha de ajuda.
  • A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho libertou mais de um milhão de euros em fundos de emergência para a Cruz Vermelha do Nepal.

O que se segue

Com quase 900 pessoas ainda por localizar e as comunicações cortadas em várias zonas, é provável que o balanço de mortos suba nos próximos dias. A prioridade imediata continua a ser o resgate e a determinação exata da causa do desastre, que ajudará a perceber se fenómenos semelhantes, ligados a sismos, degelo glaciar ou barragens naturais de rios, podem voltar a ocorrer na região montanhosa dos Himalaias.