Mora saiu por 50 ME porque o FC Porto precisa de sustentabilidade
O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, defendeu hoje a transferência de Rodrigo Mora para a Roma, num negócio que pode atingir os 50 milhões de euros, como exemplo do equilíbrio entre formação, rendimento e sustentabilidade do clube.
No editorial de agosto da revista Dragões, Villas-Boas destacou a importância de criar um FC Porto "estável, poderoso, sem dívida", capaz de conservar os seus melhores talentos durante mais tempo e de decidir "quando e em que condições os deixa partir".
O presidente portista comparou a saída de Rodrigo Mora com a transferência de Diego Moreira, formado no Benfica, que deixou o clube lisboeta a custo zero e chegou este verão ao AC Milan por 50 milhões de euros, considerando que as duas operações tiveram tratamentos mediáticos distintos.
"Perder um talento a custo zero não merece comentário; valorizá-lo em 50 milhões de euros transforma-se num problema, desde que o mérito e o retorno fiquem a Norte", escreveu o líder 'azul e branco', que aponta o que considera ser uma "memória seletiva" na análise às operações dos clubes portugueses e deixa fortes críticas ao advogado do jogador, Luís Miguel Henrique, que prestou declarações ao canal televisivo CMTV quando ainda decorriam as negociações.
Sobre Rodrigo Mora, o presidente do FC Porto realçou que o jogador foi formado no clube e que a operação com a Roma permite ao emblema portista obter um "encaixe imediato relevante" e preservar "uma participação determinante no seu futuro".
Villas-Boas enquadrou a transferência numa estratégia mais abrangente, defendendo que o cenário ideal passa por conciliar "scouting, formação, sucesso desportivo e sucesso financeiro", permitindo ao clube reduzir a dependência de vendas e manter os principais talentos por mais tempo.
"Até lá chegarmos, o desporto é também feito de concessões, caminhos cruzados, decisões difíceis e da necessidade de proteger, simultaneamente, a sustentabilidade presente e futura, sem abdicar da obrigação de continuar a vencer", sustentou.
O editorial aborda também o arranque da temporada do FC Porto, com Villas-Boas a destacar a conquista da Supertaça Cândido de Oliveira e a defender que o título nacional alcançado na época passada não pode gerar "distração ou euforia".
Mais críticas são as referências ao setor da arbitragem, com o dirigente a contestar decisões arbitrais no arranque de temporada, tomando por comparação os jogos de FC Porto e Sporting.
"Na arbitragem, porém, há uma notícia verdadeiramente reconfortante: a tão proclamada uniformização de critérios, afinal, existe! Enquanto os jogos do FC Porto se tornaram autênticos ensaios sobre a cegueira, com penáltis claríssimos a evaporarem-se até o VAR ter a seriedade de os devolver ao jogo, nos jogos do Sporting a casualidade arbitral revela uma aleatoriedade quase comovente: os lances capitais parecem encontrar sempre o mesmo sentido e o mesmo beneficiário", escreveu.
O presidente portista criticou ainda a postura do Benfica na sua relação institucional com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que considera marcada pela "conveniência do momento".
"Depois de negarem à seleção nacional a utilização do seu estádio, decidiram reservar ao presidente da FPF [Pedro Proença] um lugar na sexta fila da tribuna, após a divulgação não consentida de excertos de conversas privadas que o próprio Pedro Proença classificou como truncados, incompletos e descontextualizados, mas onde o mesmo, afirmava ter sido chamado à Polícia Judiciária por diversas vezes no âmbito de processos relacionados com o Benfica", concluiu, sobre a divulgação de áudios de Proença que remontam a 2024, quando presidia a Liga de Clubes.