Greve dos trabalhadores da REN Atlântico com impacto na ordem dos 100%
A greve dos trabalhadores da REN Atlântico, no Terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) de Sines, distrito de Setúbal, teve um impacto significativo e uma adesão "na ordem dos 100%", segundo fonte sindical.
"A greve teve um impacto com significado. Praticamente só foram carregados seis contentores com gás para a ilha da Madeira. Não saiu praticamente nenhuma cisterna" do terminal durante a paralisação, afirmou Rogério Silva, da Fiequimetal, em declarações hoje à agência Lusa.
Segundo o dirigente, "o impacto foi na ordem de 100% nestes dias e hoje a situação mantém-se" com a adesão dos 24 trabalhadores diretamente ligados à operação no terminal de GNL.
A greve, que teve início no domingo e termina esta terça-feira, foi convocada pelo SITE Sul e pela Fiequimetal (Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas).
Apesar desta adesão, o sindicalista acusou a administração da REN e o Governo de terem feito uma "leitura abusiva" do acordo relativo aos serviços mínimos, celebrado no Ministério do Trabalho.
"É absolutamente inaceitável que a REN, durante a greve, esteja a vender, por exemplo, gás a Espanha", criticou o responsável, considerando que "serviços de natureza imperturbável são hospitais".
Por isso, acrescentou, o sindicato vai "contestar junto do Governo" e exigir que, em futuras paralisações, os acordos relativos aos serviços mínimos "sejam inteiramente respeitados".
"O mais importante a realçar neste processo de luta é a determinação dos trabalhadores e a sua coragem, porque aquilo que está em cima da mesa, no que diz respeito às condições de acesso à pré-reforma, é uma matéria que tem de ser observada pela REN", sublinhou o dirigente.
A paralisação insere-se num processo reivindicativo que, segundo um comunicado da estrutura sindical, se arrasta desde 2012.
Em causa está a criação de condições de acesso à pré-reforma semelhantes às previstas no Acordo Coletivo de Trabalho de 2000 e a correção de diferenças salariais, estimadas "entre 100 e 200 euros", entre trabalhadores que desempenham as mesmas funções.
Segundo Rogério Silva, os trabalhadores vão agora reunir-se em plenário "para avaliar o decurso desta greve e definir os próximos passos".
Por seu lado, os sindicatos pretendem também solicitar uma reunião ao Ministério do Trabalho, reiterando que estão disponíveis para encontrar soluções.
"Se a administração da REN não abrir um espaço para, com base no bom senso, no diálogo, construirmos aqui uma solução, obviamente que este conflito tem tendência para se eternizar", advertiu.
Segundo o dirigente, os trabalhadores do terminal têm uma média etária "à volta dos 40 anos" e muitos acumulam mais de duas décadas de trabalho por turnos.
Caso permaneçam neste regime "até à idade legal da reforma, alguns deles vão estar 47 anos a trabalhar por turnos", afirmou.
"Esta situação tem de ser olhada com uma estratégia de médio prazo, que acautele também o próprio funcionamento daquela instalação que é absolutamente estratégica para o país", defendeu.
De acordo com fonte da REN, em resposta enviada à Lusa, no domingo, a greve convocada para o terminal "está em curso tendo sido asseguradas as operações consideradas críticas para a segurança de abastecimento e gestão de reservas de gás que é absolutamente crítica para alguns serviços de primeira necessidade".
A mesma fonte da REN acrescentou que a empresa "respeita plenamente o direito à greve", salientando que tem mantido "sempre um diálogo construtivo com os sindicatos e trabalhadores e reconhece o sentido de responsabilidade demonstrado por todas as partes no cumprimento dos serviços mínimos definidos".