José Carlos Gonçalves diz que começou a transformar "compromissos em acção"
Presidente de São Vicente elenca investimentos na educação, Protecção Civil, habitação e acessibilidades e estima arrecadar 600 mil euros anuais com a taxa turística
Foi no exíguo salão nobre dos Paços do Concelho, perante representantes das diferentes forças políticas e com a presença do anterior presidente do Município, que José Carlos Gonçalves aproveitou a comemoração dos 282 anos de São Vicente para fazer o primeiro grande balanço público dos dez meses de mandato.
“Dez meses representam ainda uma pequena parte de um mandato”, começou por reconhecer o presidente da Câmara, admitindo que este período “não permite fazer tudo aquilo que ambicionamos, nem resolver de um dia para o outro problemas que, em alguns casos, se foram acumulando ao longo de muitos anos”.
Ainda assim, José Carlos Gonçalves considera que o período já foi suficiente para começar a deixar uma marca na governação municipal. “Dez meses já permitiram trabalhar, tomar decisões, iniciar mudanças e, sobretudo, começar a transformar compromissos em acção”, afirmou.
A proximidade foi uma das bandeiras que recuperou no discurso, destacando a criação da “Presidência na Comunidade”, iniciativa através da qual tem percorrido o concelho às sextas-feiras para contactar directamente com os munícipes. “Governar um concelho não se faz apenas dentro dos espaços da municipalidade. Faz-se nas freguesias, nos sítios, nas ruas, junto às pessoas.”
Câmara reorganizada e dirigentes nomeados 12 anos depois
José Carlos Gonçalves colocou também a reorganização interna da autarquia entre as mudanças dos primeiros dez meses. Referiu a transferência dos serviços externos para um novo armazém municipal e a retirada do lixo que se encontrava acumulado naquele espaço, numa intervenção que, segundo anunciou, representou um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros.
O autarca destacou ainda que, “ao fim de 12 anos”, foram nomeados os dirigentes das quatro divisões municipais e anunciou o reforço dos serviços externos através da contratação de mais assistentes operacionais.
“Podem não ser as medidas mais visíveis de um mandato, mas são fundamentais para termos uma Câmara mais organizada, mais capacitada e com melhores condições para responder às necessidades da população”, justificou.
Na educação, o presidente destacou a duplicação das bolsas de estudo e a comparticipação de 50% das propinas do ensino superior, medidas que representam um investimento de 201.513 euros.
“Investir na educação é investir no futuro do concelho”, sustentou.
As actividades de tempos livres realizadas no Verão de 2026 representaram, por sua vez, um investimento municipal de 13.500 euros.
Na Protecção Civil, José Carlos Gonçalves apontou um investimento de 416.150 euros e aproveitou a cerimónia para reconhecer publicamente o trabalho da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de São Vicente e Porto Moniz, dirigindo uma palavra particular ao comandante Artur Fernandes e aos operacionais.
A cooperação com o movimento associativo foi igualmente destacada pelo presidente, que apontou para um investimento de 351 mil euros no apoio a instituições locais, abrangendo associações desportivas e culturais, casas do povo e centros sociais e paroquiais, incluindo, pela primeira vez, apoio a uma associação ligada à causa animal.
Na cultura e no desporto, indicou ainda 60.600 euros de apoio à promoção de actividades por instituições locais, acrescidos de 30.100 euros destinados a instituições regionais que desenvolvem iniciativas no município.
“As nossas associações, colectividades, clubes e instituições são uma parte fundamental da vida de São Vicente”, sublinhou.
O presidente apresentou também uma lista de intervenções no concelho. Entre elas está a construção no Rosário, num investimento de 294.552 euros, e o Caminho do Poço do Olheiro, na Ponta Delgada, já concluído e que representou 132.531 euros.
Na freguesia de São Vicente, destacou ainda a empreitada para a construção do muro de contenção da Estrada dos Cardais, com um investimento anunciado de 201.759 euros.
Mas José Carlos Gonçalves quis deixar claro que a estratégia municipal não ficará limitada às infra-estruturas viárias.
“O desenvolvimento de um concelho não se mede apenas em estradas e infra-estruturas. Mede-se também pela capacidade de criar condições para que as pessoas possam aqui viver e construir o seu futuro”, afirmou.
É neste contexto que surge a requalificação da antiga escola primária das Ginjas, destinada à criação de quatro fogos de habitação social.
O investimento ascende a 1 milhão de euros, contando, segundo os números apresentados pelo presidente, com uma comparticipação de 698.135 euros através do PRR/IHRU.
Para José Carlos Gonçalves, o projecto permite conjugar dois objectivos: recuperar património municipal e responder à necessidade de habitação.