Moçambique quer reforçar estudo da biodiversidade marinha com dados de cruzeiro
Moçambique quer reforçar a capacidade nacional de estudo e conservação da biodiversidade marinha através da incorporação de parte dos espécimes recolhidos durante um cruzeiro científico no acervo do Museu de História Natural de Maputo, foi hoje anunciado.
"Viu-se que devia também ter alguns espécimes para a conservação no museu. Isto é, alguns indivíduos passarem também a fazer parte do nosso acervo cultural", disse Lourenço Zacarias, investigador moçambicano envolvido na expedição, durante um seminário de apresentação dos resultados preliminares da primeira fase do cruzeiro científico realizado a bordo do navio de investigação Dr. Fridtjof Nansen, atracado no Porto de Maputo.
A expedição é realizada pelo Instituto de Investigação Marinha e Pesqueira (IIMP) - antigo Instituto Oceanográfico de Moçambique -, em parceria com o Programa EAF-Nansen, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), e o Instituto de Investigação Marinha da Noruega (IMR), na Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Moçambique.
O Dr. Fridtjof Nansen é um navio de investigação oceanográfica operado pelo Instituto de Investigação Marinha da Noruega (IMR) no âmbito do EAF-Nansen, desenvolvido em parceria com FAO, realizando campanhas científicas para avaliar recursos pesqueiros, ecossistemas marinhos e biodiversidade em países costeiros de África, Ásia e América Latina.
A missão conta com uma equipa multidisciplinar de investigadores nacionais e internacionais e tem uma duração aproximada de 30 dias, dividida em duas etapas: a primeira decorreu entre os dias 03 e 18 de agosto, e a segunda, lançada hoje, vai decorrer de 21 de agosto a 08 de setembro, segundo informação do IIMP.
Lourenço Zacarias explicou que a conservação de espécimes em Moçambique permitirá confirmar posteriormente a origem e a identidade de espécies recolhidas durante as campanhas, além de facilitar estudos de taxonomia e identificação, evitando que todo o material científico seja analisado exclusivamente fora do país.
"Isso vai facilitar também para estudos posteriores de taxonomia e identificação", afirmou o investigador, acrescentando que a conservação dos espécimes permitirá desenvolver a capacidade nacional através de formação e seminários com especialistas de diferentes áreas.
Durante a primeira etapa foram realizadas recolhas em 46 estações, abrangendo diferentes profundidade, com amostras destinadas a estudos de biodiversidade, genética, histologia, metais pesados e otólitos, além da identificação e caracterização de diferentes espécies de peixes e invertebrados.
Segundo os investigadores, parte dos espécimes será conservada no Museu de História Natural de Maputo, e outros encaminhados para instituições científicas parceiras, após identificação e recolha de tecidos para análises posteriores.
A campanha pretende igualmente produzir estimativas de biomassa das principais espécies e acompanhar alterações na biodiversidade e nas condições ambientais ao longo da costa moçambicana, permitindo comparar os resultados com campanhas realizadas anteriormente.
"Não podemos observar diretamente impactos das mudanças climáticas", disse Bjorn Axelsen, responsável científico da campanha, explicando que a monitorização de espécies, temperatura e outros parâmetros ambientais poderá contribuir para identificar alterações ao longo de períodos mais prolongados.
O responsável acrescentou que Moçambique é o proprietário dos dados produzidos pela expedição, destacando a importância da cooperação científica para reforçar a capacidade das instituições nacionais.
A campanha prosseguirá nas águas moçambicanas antes de seguir para Dar es Salaam, na Tanzânia, estando as operações condicionadas por orientações de segurança na região norte do país.