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Ajuda em Acção planeia missão e disponibiliza tendas a desalojados

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Foto EPA/MIGUEL GUTIERREZ

A organização Ajuda em Ação planeia apoio de longo prazo na Venezuela e tem fornecido 'kits' de alimentação e tendas para milhares que ficaram desalojados pelos sismos de há um mês, segundo o seu porta-voz.

Os trabalhadores da organização não-governamental (ONG) no local são todos venezuelanos e o porta-voz da Ajuda em Ação em Portugal, Mário Rui, disse à Lusa que o objetivo da organização passa por aumentar esta rede de funcionários humanitários com a contratação de motoristas e psicólogos, num plano a longo prazo para abranger milhares de famílias.

Para já, a ONG tem auxiliado as pessoas afetadas pelo duplo sismo com 'kits' de higiene e alimentação, mas também tendas, num momento em que pelo menos 23.335 pessoas vivem em 107 acampamentos temporários, segundo os mais recentes dados oficiais.

"Neste momento, ainda estamos numa fase de resposta de emergência", indicou Mário Rui, adiantando que uma das necessidades em que estão a trabalhar é na captação de água.

O objetivo é também, no futuro, passar para uma segunda fase de resposta humanitária "mais dirigida a grupos familiares, sinalizados em conjunto com parceiros locais". 

"É uma ajuda que vai ser destinada muito ao apoio psicossocial, à proteção de crianças e cuidados para raparigas e mulheres, que são sempre os grupos mais vulneráveis neste tipo de situações", continuou.

O porta-voz da Ajuda em Ação adiantou que uma última fase de apoio incidiria então sobre a reconstrução das comunidades.

"Estamos a preparar um processo longo, é um processo muito dirigido a estas comunidades mais vulneráveis que capacitará estas pessoas sobretudo a recuperar aquilo que eram os seus meios de vida, para recuperarem também os seus meios económicos de sustentabilidade", acrescentou.

"É um processo de mais de um ano que nós estamos a desenhar para estarmos num terreno. Contamos cerca de 50 mil famílias, um volume que necessita de um apoio financeiro de cerca de cinco milhões de euros".

A ONG estima que levará um ano só para estabilizar toda a operação de apoio no terreno.

Segundo o porta-voz, uma das respostas que a Ajuda em Ação tem prestado especial atenção são os canais de comunicação, que têm encetado pelas zonas mais afetadas para levar "informações corretas às pessoas".

"Não só informação de onde estão os recursos, mas também uma informação sobre a proteção, sobre onde é que as pessoas podem ir para se sentirem mais protegidas e como as pessoas se podem proteger de situações que as possam colocar em maior vulnerabilidade", acrescentou.

A Ajuda em Ação tem coordenado os trabalhos de ajuda com outras ONGs no terreno, como a Fundación Tierra Viva e a Fundación Proyecto Tadeo, e também com parceiros que fazem parte da Alliance2015 e que já estavam presentes no país, nomeadamente a CESVI e a ACTED, e também com a People In Need.

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 5.398 mortos e 16.740 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos, há pelo menos 133 portugueses e lusodescendentes, e outros 21 estão desaparecidos.

Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.