PSD acusa as oposições de bloqueio e PS centra ataque no primeiro-ministro
O PSD colocou hoje em contraponto os resultados da ação governativa e a opção de "bloqueio" das oposições, enquanto o PS acusou o primeiro-ministro de não dar sentido concreto, útil e unitário ao seu executivo.
No período de intervenções destinadas aos partidos, a meio do debate sobre o estado da nação, o secretário-geral adjunto social-democrata Ricardo Carvalho observou que o atual Governo não dispõe de suporte maioritário na Assembleia da República, o que requer "diálogo político, compromisso e persistência".
"Mas o atual quadro político exige também uma oposição responsável e, infelizmente, nem sempre foi isso o que aconteceu. Assistiu-se muitas vezes a PS e Chega votarem lado a lado para impedir reformas estruturais do Governo. Fizeram-no em matérias diferentes, mas sempre com o mesmo resultado: tentar travar a mudança", criticou.
Para o deputado do PSD, enquanto a oposição prefere "bloquear, PSD e Governo preferem governar".
"E é precisamente pelos resultados que nós queremos e seremos avaliados, mesmo em contexto difícil. Enfrentámos um apagão energético, tempestades devastadoras e uma crise internacional provocada pela guerra no Médio Oriente. E respondemos", sustentou.
Ricardo Carvalho defendeu que o Governo está a "proteger famílias, a apoiar empresas, com contas públicas equilibradas".
"Quem comparar Portugal de hoje com o país que encontrámos em março de 2024 percebe que o país mudou. Hoje há menos impostos, mais emprego, salários mais elevados, mais investimento, mais casas a serem construídas. Hoje há um Estado mais simples, contas públicas mais sólidas, uma política externa respeitada e mais oportunidades para os jovens. E estamos só a começar", sustentou o secretário-geral adjunto do PSD.
Na resposta, o vice-presidente da bancada do PS Luís Graça afirmou que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, "falhou no início do ano letivo no processo de colocação de professores e falha agora no fim do ano na correção dos exames nacionais".
"O ministro da Agricultura promete milhões e milhões como se fosse uma máquina de multibanco, mas o rendimento agrícola desce, a ministra da Saúde prometeu resolver os problemas do SNS em seis meses conseguiu em dois anos piorar todos os indicadores, a ministra do Trabalho acredita que o problema da economia são os direitos excessivos dos trabalhadores portugueses e o ministro das Finanças, que antes dizia que crescer acima dos 3% era fácil, não consegue chegar aos 2% - abaixo do crescimento dos governos do PS", apontou o dirigente socialista.
Na perspetiva de Luís Graça, "não se trata da falta de jeito ou de um problema de competência deste ou daquilo ministro".
"O problema é mesmo o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que não consegue dar um sentido concreto unitário e útil à governação", defendeu.
A seguir, o deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo deixou um conjunto de perguntas ao secretário-geral adjunto do PSD, começando pelo teor de uma recente conferência de imprensa dada pelo porta-voz dos sociais-democratas, o eurodeputado Sebastião Bugalho.
"Anunciou que iam pagar o trabalho suplementar aos professores e, por isso, quero perguntar como vai ser pago esse trabalho suplementar e quais são os critérios?", questionou.
Fabian Figueiredo perguntou, também, quando será executado o mecanismo para ressarcir as famílias lesadas pelo adiamento dos exames que foi anunciado pelo ministro Fernando Alexandre na RTP.
"E sempre vão cumprir a promessa de disponibilizar os exames nacionais em formato digital a todos os alunos, sem necessidade de requerimentos?", questionou ainda o deputado do Bloco de Esquerda.
Ricardo Carvalho, na resposta, estabeleceu uma linha de separação institucional entre partido e Governo.
"Não tem de perguntar a mim questões relativas a professores. Se tivesse gerido bem o seu tempo de intervenção, poderia ter perguntado ao Governo. Não é o Grupo Parlamentar do PSD quem vai decidir em vez do Governo. Ainda separamos as coisas", reagiu.