DNOTICIAS.PT
Mundo

Governo francês ordena revisão de 70 mil denúncias de abuso infantil após morte de menina

Suspeito da morte de Lyhanna, de 11 anos, já acumulava várias queixas de abusos.
Suspeito da morte de Lyhanna, de 11 anos, já acumulava várias queixas de abusos.

O Governo francês vai pedir uma análise exaustiva a cerca de 70 mil queixas por crimes contra crianças, na sequência do homicídio de uma menina de 11 anos por um suspeito com vários processos por violação ou abuso.

O anúncio foi feito hoje pelo ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, que garantiu que vai pedir uma revisão exaustiva de todas as queixas relacionadas com crimes contra menores - cerca de 70 mil processos - antes de 14 de julho. "Não vou de férias e nenhum magistrado de alto nível o fará até que eu receba, um a um, os procuradores-gerais para avaliar a situação", declarou Darmanin, na véspera da reunião com os magistrados, no Ministério da Justiça, em Paris.

O ministro assinalou que existem "graves falhas" na gestão do caso do suspeito, Jérôme Barella, que acumulava várias denúncias de violações ou abusos de menores sem consequências, e anunciou que o relatório de inspeção que encomendou será divulgado dentro de quinze dias, indicando os responsáveis e as possíveis sanções, que incluem a destituição de magistrados, se for considerado necessário.

O caso do suspeito da morte de Lyhanna, segundo Gérald Darmanin, evidencia a necessidade de rever todas as denúncias de violência contra crianças para garantir uma resposta imediata e eficaz por parte da Justiça.

A morte de Lyhanna causou uma profunda comoção em França e reabriu o debate sobre possíveis disfunções na cadeia judicial na gestão de denúncias de violência sexual contra menores. "Lyhanna é o último capítulo de uma tragédia que se arrasta há demasiado tempo: a de silenciar as crianças, quando estas mereceriam toda a nossa atenção, tal como outros países europeus sabem fazer há anos", denunciou o presidente da Câmara da localidade de Fleurance (Gers, sudoeste), Grégory Bobbato, num discurso que encerrou, após um minuto de silêncio e uma ovação comovente, uma marcha em memória da menina, à qual compareceram 6.000 pessoas.  O autarca referiu que a morte da menina "é uma falha social, nada menos".

Lyhanna desapareceu no dia 29 de maio, depois de entrar no carro do suspeito à saída da escola, tendo o corpo da criança sido encontrado seis dias depois, num silo de cereais abandonado de uma exploração agrícola situada a cerca de 15 quilómetros da sua escola, e onde Barella trabalhou no passado.

A identificação formal ocorreu um dia depois, na sexta-feira, graças a testes de ADN, embora as causas da morte ainda não tenham sido oficializadas.

Barella, de 41 anos, é pai de uma amiga da vítima e acumula queixas por agressões sexuais contra menores, algumas arquivadas e outras ainda em curso. Foi detido poucas horas após o desaparecimento da menina e está sob investigação por rapto e privação de liberdade, tendo sido colocado em prisão preventiva.